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Quem é Greg Abel? Sucessor de Warren Buffett na Berkshire Hathaway

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Todos nós investidores, paramos no dia 3 de maio de 2025 para assistir a lendária reunião anual da Berkshire Hathaway. O evento é conhecido como o “Woodstock do Capitalismo” e Warren Buffett, aos 94 anos, fez um anúncio esperado (ou não), de que ele deixaria o cargo de CEO do conglomerado, um império que construiu ao longo de seis décadas.

O anúncio foi surpreendente e realizado no final do encontro. Marcou o fim de uma era para a empresa e o início de um novo capítulo para o conglomerado. A Berkshire é uma das empresas mais icônicas do mundo e um império avaliado em mais de US$ 1 trilhão. Estamos falando da grande jóia da coroa, para nós que adotamos o investimento em valor como ferramenta de trabalho.

No centro desta transição histórica está Gregory Edward Abel, o homem escolhido por Buffett para assumir o comando. Seu nome já circulava nos bastidores como herdeiro aparente. A confirmação oficial lançou um holofote global sobre ele.

A sucessão na Berkshire é a passagem de um bastão com grande peso, pois carrega um legado de retornos extraordinários, uma cultura corporativa única e a confiança de milhares de investidores ao redor do mundo.

O anúncio foi estratégico. Buffett evitou um longo período de especulação sobre sua saída e concentrou a atenção do mercado em um único momento. Assim, controlou a narrativa sobre sua sucessão.

Apresentou Abel não como um substituto, mas como a continuação lógica de seu trabalho.

Por esse motivo, vamos nos aprofundar na trajetória de Greg Abel e analisar sua filosofia e seus grandes desafios. Ele tem a tarefa de guiar o império da Berkshire, uma empresa que agora seguirá um novo rumo, sem seu lendário líder, Warren Buffett, como CEO.

Quem é Greg Abel, Herdeiro do Império de Buffett

Por anos, a pergunta “quem sucederá Warren Buffett?”, foi um dos tópicos mais debatidos no mercado financeiro. 

Buffett e seu braço direito, Charlie Munger, mantinham o suspense e alimentavam a curiosidade em cada reunião anual. A resposta começou a se desenhar de forma mais nítida em 2021.

Na reunião de acionistas daquele ano, discutia-se a cultura da empresa e Charlie Munger deixou escapar uma frase importante que ecoou imediatamente pelo mundo financeiro.

Ele disse: “Greg manterá a cultura”. A menção casual foi o sinal que todos esperavam e pouco depois, Buffett confirmou a informação à CNBC. Ele afirmou de maneira inequívoca sua decisão: “os diretores concordam”, disse ele. “Se algo acontecer comigo, Greg assume amanhã”.

Essa revelação gradual foi uma estratégia brilhante! A “gafe” de Munger funcionou como um balão de ensaio que permitiu ao mundo se acostumar com a ideia.

O mercado, acionistas e funcionários viram Abel como futuro líder e esse processo de adaptação durou vários anos. Nesse período, a presença de Abel nos palcos aumentou e ele apareceu mais nas reuniões anuais.

Isso lhe deu a chance de construir sua reputação e de se familiarizar com os interlocutores.

O processo culminou na reunião de maio de 2025 e Buffett formalizou a indicação de Abel ao conselho. O que parecia incerteza foi uma transição cuidadosamente gerenciada, projetada para garantir estabilidade e confiança. 

Formação e Início de Carreira de Greg Abel

Para entender por que Abel é o guardião ideal da cultura, olhemos suas origens. Ele nasceu em 1º de junho de 1962 e sua cidade natal é Edmonton, no Canadá.

Abel vem de uma família de classe trabalhadora e sua foi relativamente simples, longe do glamour de Wall Street. Sua história reflete os valores de trabalho árduo e disciplina, pilares do império de Buffett.

Desde jovem, Abel demonstrou uma forte ética de trabalho e antes da faculdade, ele teve vários empregos práticos, como por exemplo: distribuiu panfletos, recolheu garrafas para reciclagem e trabalhou como operário em uma empresa florestal. Além disso, chegou a encher extintores de incêndio.

Essa base é semelhante à juventude de Buffett. Buffett trabalhava na mercearia de seu avô, onde ele aprendeu o valor do trabalho tangível (aquilo que podemos ver e tocar). No entanto, Buffett por muitas vezes disse que não se enxergava no trabalho físico, pois era cansativo.

O esporte também desempenhou um papel crucial na formação de Abel. Foi como jogador de hóquei, que Abel aprendeu lições valiosas para a vida. Aprendeu sobre trabalho em equipe, liderança e sobre a importância de laços fortes. Esse aprendizado, segundo ele, foi aplicado em sua carreira.

Sua trajetória acadêmica foi igualmente focada de forma muito pragmática. Ele se formou com distinção em Contabilidade, na Universidade de Alberta, em 1984.

Logo após, iniciou sua carreira como contador na PwC, primeiro em Edmonton, depois em São Francisco.

Essa base sólida em contabilidade foi fundamental e forneceu-lhe a linguagem universal dos negócios (como Buffett gosta de dizer).

A trajetória de Abel não é a de um “gênio” de Wall Street. Na verdade, os grandes investidores mais admirados, raramente são ou foram “especuladores”, e sim, pessoas que dedicaram sua vida obtendo conhecimento sobre negócios.

Portanto, Abel não foi escolhido por suas origens, e sim por uma afinidade natural com os valores da Berkshire. São esses valores que tornaram essa empresa tão memorável!

Ascensão de Greg Abel na Berkshire Hathaway

A jornada de Greg Abel de contador a sucessor é uma história de ascensão constante e momentos decisivos.

Sua carreira mostra uma evolução impressionante, saindo de especialista técnico a operador estratégico e, finalmente, a alocador de capital em larga escala.

A “virada de chave” ocorreu em 1992, quando ele deixou a PwC para se juntar à CalEnergy.

A CalEnergy era uma produtora de energia geotérmica e lá, ele começou sua transição para executivo de operações.

Em 1999, algo muito importante ocorreu e esse episódio seria decisivo no futuro de Abel. A CalEnergy adquiriu a MidAmerican Energy, a empresa adotou o novo nome e Abel teve um papel de liderança na transação.

E como o destino, caprichoso como sempre, continuou traçando suas tramas, em 2000, a Berkshire Hathaway adquiriu a MidAmerican.

Essa negociata trouxe Abel para a proximidade de relacionamentos de Buffett. Dentro da Berkshire, seu talento floresceu e em 2008, ele foi nomeado CEO da MidAmerican. A empresa foi renomeada para Berkshire Hathaway Energy (BHE) em 2014.

Sob sua liderança, a BHE tornou-se um pilar fundamental da Berkshire e virou um verdadeiro império de energia.

Abel liderou uma série de aquisições bilionárias, nas quais elas expandiram massivamente a presença da empresa. Isso incluiu a compra da NV Energy por US$ 5,6 bilhões e da canadense AltaLink por quase US$ 3 bilhões.

Abel provou ser um operador meticuloso e negociador formidável, especialmente em um setor altamente regulado.

O reconhecimento final veio em janeiro de 2018, quando Buffett o promoveu a Vice-Presidente do Conselho.

A Abel foi confiada a supervisão das operações não-seguradoras. Essa função o colocou no comando de um grande portfólio, incluindo a ferrovia BNSF e a See’s Candies (menina dos olhos de Buffett), Dairy Queen e a Fruit of the Loom.

Se você acompanha as trajetórias de Buffett e Munger, sabe que eles sempre buscaram negócios “fáceis de entender” e “difíceis de replicar”. Deixar Abel cuidar desses negócios, e como confiar o cuidado dos filhos a alguém, quando os pais saem para uma festa!

Ao gerenciar dezenas de negócios, Abel se tornou um generalista, aprendendo a alocar capital e a supervisionar operações, espelhando o papel de Buffett.

Podemos dizer portanto, que Buffett avaliou Abel por décadas, antes de tomar a decisão de sucessão, o que reflete grandemente a psicologia do Oráculo de Omaha.

Se Buffett confia em Abel, quem irá desconfiar?

Por Que Greg Abel Foi Escolhido por Warren Buffett

A seleção de Greg Abel não foi baseada em um único fator, mas em um conjunto de qualidades que o tornaram o candidato ideal. A decisão de Buffett, endossada por Charlie Munger, foi fundamentada em três pilares principais:

Perfil Técnico e Discrição

  • Estilo Discreto: Abel é o oposto do chamado CEO celebridade. Ele é analítico, pragmático e evita holofotes, características valorizadas na cultura da Berkshire.
  • Vantagem Estratégica: Seu perfil de facilitador, não de estrela principal, garante que o foco permaneça no desempenho dos negócios, preservando o modelo descentralizado da empresa.

Experiência Operacional

  • O “Operador”: Se Buffett é o “Oráculo”, Abel é o “Operador”. Ele supervisiona o vasto império não-segurador da Berkshire, que gera a maior parte das receitas.
  • Gestão Ativa: Diferente de Buffett, Abel mergulha nos detalhes operacionais, faz perguntas difíceis e incentiva a colaboração.
  • Foco no Crescimento Interno: Seu conhecimento é fundamental para a nova fase da Berkshire, no qual o valor futuro virá da otimização dos negócios que a empresa já possui.

Confiança de Charlie Munger

  • Selo de Aprovação Munger: Talvez o selo de aprovação mais importante veio de Charlie Munger. Sua frase “Greg manterá a cultura” foi a validação definitiva.
  • Guardião dos Valores: O endosso de Munger sinalizou que os princípios de confiança, integridade e pensamento de longo prazo da Berkshire estarão seguros com Abel.
  • Herdeiro Cultural: A mensagem de Munger foi clara: Abel não era apenas competente, mas um verdadeiro herdeiro cultural, capaz de preservar a alma da empresa.

A Filosofia de Gestão de Greg Abel

O estilo de liderança de Greg Abel pode ser definido de forma clara, sendo uma mistura de continuidade e evolução, no qual ele não busca reinventar a roda e sim garantir que ela gire de forma mais eficiente.

Sua filosofia de investimento é uma continuação da de Buffett, que funcionou por mais de 60 anos e continuará funcionando. O método é fácil de entender e difícil de replicar: comprar empresas bem administradas, geradoras de caixa, com boas perspectivas a preços razoáveis.

Buffett endossou essa visão e afirmou que as perspectivas da Berkshire seriam melhores com Greg.

Essa visão também se estende à gestão do caixa da empresa, onde Abel vê a reserva de caixa como um “ativo estratégico”, e uma “fortaleza” que permite à Berkshire ser independente.

Essa é a mesma visão de Buffett, que sempre defendeu a paciência, esperando por bons negócios.

No entanto, seu estilo de gestão é mais ativo do que o modo Buffett, famoso por sua abordagem “hands-off”. Abel é conhecido por ser mais engajado, examinando os detalhes e fazendo perguntas perspicazes.

Sendo assim, será um grande desafio para Abel, a luta constante entre micro gerenciar e preservar a independência dos gestores, ao mesmo tempo que busca impulsionar a excelência operacional.

Desafios que Greg Abel terá à Frente na Berkshire Hathaway

Assumir o comando da Berkshire Hathaway por si só já é uma tarefa desafiadora. Se não bastasse, Greg Abel terá uma série de obstáculos complexos que testarão sua habilidade e liderança:

Transição de Liderança

  • Legado de um Ícone: O primeiro desafio é o peso do legado Buffett. Abel precisa construir sua própria credibilidade, sem a aura do “prêmio Buffett”.
  • Pressão e Escrutínio: Ele enfrentará uma pressão de investidores e da mídia que Buffett raramente enfrentou em seus últimos anos.
  • Nova Identidade: Seu principal desafio será redefinir a identidade pública da empresa, mudando o foco da personalidade do fundador para a força da instituição.

Continuidade de Performance

  • A “Lei dos Grandes Números”: O tamanho colossal da Berkshire torna extremamente difícil encontrar investimentos que impactem o crescimento de forma significativa.
  • Dilema do Caixa: Abel enfrenta uma pressão imensa para alocar os quase US$ 350 bilhões em caixa, equilibrando paciência e oportunidade.
  • Retorno de Capital: Ele pode ser forçado a considerar opções que Buffett resistiu, como retornar mais capital aos acionistas através de recompras ou dividendos.

Sustentabilidade e Investimentos em Energia

  • Pressão ESG: O desafio mais complexo é a sustentabilidade, especialmente no braço de energia (BHE), que enfrenta críticas por suas operações.
  • Ativos de Carvão: A BHE opera uma das frotas de usinas a carvão mais poluentes e enfrenta passivos bilionários por incêndios florestais.
  • Equilíbrio Delicado: A experiência de Abel é uma vantagem, mas seu passado na BHE também o torna um alvo. Ele precisará equilibrar viabilidade financeira e demandas por uma transição energética mais rápida.

Qual a Participação Acionária de Greg Abel Na Berkshire

Abel possui aproximadamente US$ 175 milhões em ações da Berkshire, representando uma pequena fração de sua riqueza e uma porcentagem ínfima das ações da empresa.

A maior parte de sua fortuna foi construída de outra forma. Em 2022, a Berkshire comprou sua participação na BHE. Seu pacote de remuneração anual gira em torno de US$ 20 milhões, mas não inclui incentivos baseados em ações

Essa estrutura cria um contraste interessante com outros líderes de grandes companhias, incluindo o próprio Buffett.

ExecutivoEmpresaValor da Participação na Empresa (Estimado)% do Patrimônio Líquido Total (Estimado)
Greg AbelBerkshire HathawayUS$ 175 milhões18%
Warren BuffettBerkshire HathawayUS$ 160 bilhões>99%
Tim CookAppleUS$ 1,3 bilhão38%

Fonte: Dados compilados de relatórios da Bloomberg.

Enquanto a riqueza de Buffett está ligada diretamente às ações da Berkshire, a de Abel está mais diversificada. 

Como Abel não representa mais a visão de líder proprietário, atribuída a Buffet, talvez a pressão por pacotes de remuneração mais convencionais aos acionistas pode crescer.

Será que viveremos para ver a Berkshire Hathaway distribuir dividendos, realizar bonificações e/ou executar recompra de ações?

O Que Esperar da Berkshire Sob o Comando de Abel

A transição de liderança na Berkshire Hathaway levanta uma questão crucial para investidores da companhia: E agora, o que vem a seguir? 

Embora a filosofia central permaneça, a mudança de um “Oráculo” para um “Operador” sinaliza novas áreas de foco e mudanças na forma de administrar. Aqui estão os pontos-chave a serem observados na era Greg Abel:

  • Alocação Estratégica do Caixa: O destino dos quase US$ 350 bilhões em caixa será o teste mais visível de Abel, na qual a pressão para alocar esse capital será imensa. Devemos ficar atentos aos sinais de recompras de ações mais agressivas, aquisições em setores de infraestrutura e energia, ou até mesmo a instituição de dividendos, um tabu na era Buffett.
  • Eficiência Operacional: Com o perfil de “Operador” de Abel, devemos esperar foco maior em otimizar os negócios existentes. Métricas de desempenho da ferrovia BNSF e do braço de energia (BHE) serão um termômetro importante.
  • Transição Energética: A gestão da BHE e sua frota de usinas a carvão será um grande desafio. Devemos observar o ritmo da transição para energias renováveis e como Abel equilibrará as metas de sustentabilidade com a necessidade de estabilidade da rede elétrica e os custos para os consumidores.
  • Comunicação: Abel é mais discreto, mas poderá enfrentar pressão por maior transparência com Wall Street. A manutenção das longas cartas anuais é esperada, mas a introdução de teleconferências trimestrais ou outras formas de comunicação mais convencionais será um ponto a ser monitorado.

Deve ficar claro para nós, que a era Buffett está ficando para trás. Abel fará um ótimo trabalho, com certeza, pois foi duramente testado e avaliado ao longo de décadas, pelo próprio Buffett.

Existirá uma Berkshire Hathaway A.B. (Antes de Buffett) e uma Berkshire Hathaway P.B. (Pós Buffett) e não será justo com Abel fazer tais comparações.

Espero que você tenha gostado desse artigo, pois como sou fã de Buffett e de sua jornada, resolvi compartilhar um pouquinho com você, sobre o que deveremos esperar da nova era da Berkshire Hathaway.

Se você gosta dos nossos artigos, nos dê uma oportunidade no YouTube também. Lá trazemos material complementar sobre os artigos que escrevemos.

Forte abraço, Arlei Oliveira.

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Perguntas Frequentes (FAQ)

Quando Greg Abel assume como CEO da Berkshire Hathaway?

Greg Abel assumirá o cargo de CEO no final de 2025 e seu mandato começa oficialmente em 1º de janeiro de 2026.

Com quantos anos de idade Greg Abel assumirá a Berkshire Hathaway?

Greg Abel nasceu em 1º de junho de 1962, quando se tornar CEO, terá 63 anos de idade.

A filosofia de investimentos da Berkshire Hathaway vai mudar com Greg Abel?

Não, Greg Abel afirmou que a filosofia central de investimento da Berkshire permanecerá idêntica à de Warren Buffett.

Qual o patrimônio líquido de Greg Abel?

O patrimônio líquido de Greg Abel é estimado em aproximadamente US$ 1 bilhão.

Quem é Ajit Jain e por que ele não foi o escolhido?

Ajit Jain é o Vice-Presidente de Operações de Seguros e de acordo com Warren Buffett, ele nunca desejou o cargo de CEO de todo o conglomerado.

Warren Buffett continuará na empresa?

Sim, Warren Buffett deixará o cargo de CEO, mas permanecerá como Presidente do Conselho de Administração.

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