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O que é Preço Teto de uma Ação
O preço teto (também conhecido como preço alvo) é o valor máximo que um investidor está disposto a pagar por uma ação, visando um retorno mínimo por meio dos dividendos.
O cálculo do preço teto de uma ação possibilita que o investidor adote uma estratégia consistente a longo prazo, pois:
- permite calcular (com base na média histórica de dividendos) o provável dividend yield;
- evita que o investidor compre as ações em momentos de alta, uma vez que a compra só deverá ser realizada quando a cotação estiver abaixo do preço teto;
- cria um sistema ou método que o investidor pode seguir com objetivo bem definido.
Neste artigo explicarei como calcular o preço teto de uma ação, utilizando os métodos de duas das maiores referências do cenário de investimentos do Brasil: Décio Bazin e Luiz Barsi.
Bora lá então, mergulhar nesses conceitos tão importantes.
Como Calcular o Preço Teto de uma Ação
A fórmula do preço teto é bem descrita no livro “Faça Fortuna com Ações” escrito pelo jornalista e investidor, Décio Bazin na década de 70. Ao que tudo indica, esse livro também foi referência cruzada na estratégia de Luiz Barsi, um dos maiores investidores da Bolsa Brasileira.
Para a estratégia pregada aqui no Meia Ficha, o preço teto deverá ser utilizado como um filtro quantitativo (probabilidade de retorno por meio de dividendos) em conjunto com critérios qualitativos (o qual mostra a qualidade da empresa avaliada).
O objetivo é escolher boas empresas, pagadoras de dividendos, porém, com preços atrativos.
Vejamos a fórmula do preço teto em detalhes agora.
Fórmula do Preço Teto – Exemplo Prático com Banco do Brasil (BBAS3)
A fórmula básica, utilizada por ambos os mestres (Bazin e Barsi), é relativamente simples:
Preço Teto = Dividendos Anuais Esperados por Ação / Dividend Yield Mínimo Desejado
O “Dividend Yield Mínimo Desejado” é classicamente 6% (ou 0,06 na forma decimal). Esse valor foi popularizado por Bazin e Barsi como um retorno razoável para compensar o risco do investimento em ações e superar, historicamente, outras alternativas de menor risco (renda fixa).
Vejamos agora, o passo a passo para calcular o preço teto, pr meio de uma simulação real.
Passo 1: Coletar o Histórico de Dividendos Pagos pela Empresa
O primeiro passo para calcular o preço teto de uma ação é levantar o histórico de dividendos pagos pela empresa que está sendo analisada.
Essas informações são públicas e podem ser encontradas em diversas fontes gratuitas:
- Sites de Relações com Investidores (RI) das empresas: As companhias listadas na bolsa possuem uma seção de RI em seus sites onde divulgam comunicados, resultados e o histórico de proventos pagos.
- Plataformas de Análise de Ações: Existem diversas plataformas online, muitas gratuitas, que consolidam dados financeiros das empresas, incluindo o histórico de dividendos. Exemplos incluem os sites Fundamentus e Investidor10.
- Site da B3: A própria bolsa de valores brasileira (B3) também disponibiliza informações sobre os eventos corporativos, incluindo pagamentos de dividendos.
A seguir, dados retirados do site Investidor10, para o cálculo passo a passo do Banco do Basil.

Ao coletar esses dados, é importante observar a consistência e a regularidade dos pagamentos ao longo dos anos.
Um histórico de pagamento constante, como por exemplo, nos últimos 5 anos, é um bom indicativo. A seguir, o histórico de dividendos dos últimos 6 anos para o Banco do Brasil.
| ATIVO | 2024 | 2023 | 2022 | 2021 | 2020 | 2019 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| BBAS3 | 2,60 | 2,27 | 2,07 | 1,13 | 0,74 | 1,27 |
Passo 2: Calcular os Dividendos Anuais Esperados por Ação
Nesse passo, devemos calcular (com base nos dividendos históricos) o provável dividendo a ser pago no futuro.
Para isso, podemos adotar as abordagens de Luiz Barsi ou Décio Bazin (pequenas diferenças práticas, porém com os mesmos objetivos):
- Visão de Luiz Barsi: Barsi costuma utilizar a média dos dividendos pagos por ação nos últimos 5 ou 6 anos. Essa média ajuda a suavizar flutuações anormais causadas por dividendos extraordinários ou por anos particularmente bons ou ruins, oferecendo uma visão mais conservadora e estável da capacidade de pagamento da empresa.
- Visão de Décio Bazin: Bazin considera o último dividendo pago, especialmente se este representar a capacidade atual da empresa. No geral, Bazin observa os dois últimos anos da companhia.
Independentemente da abordagem, é fundamental analisar criticamente os dividendos passados com as seguintes óticas:
- Eles são sustentáveis?
- Há perspectivas de crescimento ou de corte nos lucros e, consequentemente, nos dividendos?
Se calcularmos os dividendos anuais esperados para o Banco do Brasil, utilizando a média simples (dos dados informados anteriormente), chegaremos ao valor de R$ 1,68 por ação.
| ATIVO | Média | 2024 | 2023 | 2022 | 2021 | 2020 | 2019 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| BBAS3 | 1,68 | 2,60 | 2,27 | 2,07 | 1,13 | 0,74 | 1,27 |
No entanto, um analista mais experiente, poderá observar que em 2020, os dividendos foram severamente afetados pela pandemia. Além disso, de 2022 para frente, os lucros da companhia aumentaram significativamente, o que aumentou também os dividendos pagos.
Utilizando apenas esses dois pontos como referência, não seria nada muito conturbado, utilizar um dividendo esperado na casa dos R$ 2,00 por ação para 2025 em diante.
Passo 3: Definir o Dividend Yield Mínimo Aceitável
Conforme já mencionado, o padrão de 6% (0,06) é a referência clássica de Bazin e Barsi, pois fazia muito sentido na época em que foi definido. Naquele período, o retorno dos ativos livres de risco, era de aproximadamente 6%.
No entanto, esse percentual deve ser ajustado para refletir a nova realidade do investidor brasileiro. A taxa livre de riscos no Brasil, vem se mantendo alta nos últimos anos, ao redor de 7,5% e 8%.
Por isso, o Meia Ficha indica que você investidor individual, adeque o percentual de 6% tradicional, para refletir a taxa livre de riscos de longo prazo para os seus cálculos.
Para o nosso exemplo, utilizaremos a taxa de 8% para o dividend yield mínimo aceitável.
Passo 4: Aplicar a Fórmula para Encontrar o Preço Teto
Com os “Dividendos Anuais Esperados por Ação” e o “Dividend Yield Mínimo Desejado” definidos, basta aplicar a fórmula.
Para o cálculo do preço teto do Banco do Brasil, utilizaremos os seguintes valores:
- Dividendos anuais esperados por ação: R$ 2,00
- Dividend yield mínimo desejado: 8%
Preço Teto (Projetivo) = Dividendos Anuais Esperados por Ação / Dividend Yield Mínimo Aceitável
Preço Teto (Projetivo) = 2,00 / 8%
Preço Teto (Projetivo) = R$ 25,00
Devemos deixar claro, que o preço teto calculado aqui é apenas um instrutmento didático e de apresndizado. Cada pessoa e cada analista poderá considerar aspectos diferentes nas suas análises.
Além disso, o preço teto projetivo não leva em consideração e nem aborda os critérios qualitativos da companhia, sendo necessário, aprofundar a análise antes da tomada de decisão de investir ou não.
Passo 5: Análise Qualitativa Complementar
O cálculo do preço teto é uma ferramenta quantitativa poderosa, mas não deve ser o único critério na decisão de investimento.
O cálculo do preço teto de uma ação é apenas uma etapa do processo, e portanto, é fundamental complementar essa análise com uma avaliação qualitativa da empresa, que inclua (no mínimo):
- Nível de Endividamento: Verificar se a empresa possui uma estrutura de capital saudável, conforme os critérios de Bazin (Dívida Bruta / Patrimônio Líquido < 0,5) ou uma análise geral de sua capacidade de pagamento.
- Qualidade da Gestão: Avaliar a competência e a transparência da equipe administrativa.
- Vantagens Competitivas: Identificar se a empresa possui diferenciais que a protejam da concorrência (moats termo criado por Warren Buffett).
- Perspectivas do Setor: Analisar as tendências e o potencial de crescimento do setor em que a empresa atua.
- Outros Indicadores de Valor: Embora não centrais para os métodos de Bazin e Barsi focados em dividendos, indicadores como o P/L (Preço/Lucro) e P/VP (Preço / Valor Patrimonial) podem oferecer informações adicionais sobre o quão “barata” ou “cara” uma ação está em relação aos seus lucros.
A escolha sobre qual valor de “dividendo” utilizar no cálculo – seja o último pago, a média histórica ou uma projeção – é um ponto que reflete o grau de otimismo ou conservadorismo do investidor, bem como sua análise sobre a previsibilidade dos lucros futuros da empresa.
Utilizar uma média histórica, como Barsi sugere com 5-6 anos, tende a ser uma abordagem mais conservadora, pois suaviza picos não recorrentes.
Por outro lado, basear-se em um dividendo projetado pode ser mais agressivo se a empresa estiver em uma trajetória de crescimento, ou mais pessimista se estiver enfrentando dificuldades.
Essa escolha, embora subjetiva dentro de um método predominantemente quantitativo, é fundamental.
Além disso, é importante reconhecer que o preço teto não é um valor estático. Ele deve ser corrigido e revisitado à medida que os dividendos da empresa evoluem e/ou a percepção de risco do investidor (refletida no yield desejado) se modifica.
Vejamos agora, as principais diferenças e semelhanças com relação aos métodos utilizados por Luiz Barsi e Décio Bazin.
Semelhanças e Diferenças entre os Preços Teto de Bazin e Barsi
Embora Décio Bazin e Luiz Barsi sejam frequentemente citados em conjunto como grandes defensores do investimento focado em dividendos, e ambos utilizem o conceito de preço teto, existem detalhes em suas filosofias e métodos que merecem ser exploradas.
Vejamos os principais pontos em comum e as principais diferenças.
Pontos em Comum:
- Foco nos Dividendos: Tanto Bazin quanto Barsi colocam os dividendos no centro das suas estratégias de investimento. Para eles, os dividendos não são apenas um “extra”, mas a principal forma de retorno das companhias.
- Dividend Yield Mínimo de 6%: Ambos popularizaram a utilização de um dividend yield mínimo desejado de 6% ao ano como referência para o cálculo do preço teto. Cada investidor pode adpatar de acordo com as suas necessidades.
- Visão de Longo Prazo: As estratégias de ambos são fundamentalmente orientadas para o longo prazo, embora com diferentes ênfases nas regras de manutenção ou venda dos ativos.
- Aversão ao Curto Prazo: Tanto Bazin quanto Barsi desencorajam a especulação baseada em movimentos de mercado de curto prazo, preferindo ancorar as decisões de investimento nos fundamentos sólidos das empresas.
Principais Diferenças:
- Critérios de Venda e Manutenção: Para Bazin, caso a empresa deixe de pagar dividendos de acordo com o retorno esperado, o investidor deverá vender as ações e comprar outra mais promissora.
- Critérios Setoriais: Luiz Barsi defende o investimento em setores perenes e mais previsíveis, como saneamento, energia elétrica, seguradoras e bancos. Bazin não limitou seu método para setores da economia, mas para indicadores qualitativos, como por exemplo, endividamento e gestão.
- Reação a Notícias: Bazin recomendava a venda imediata das ações em caso de notícias negativas que pudessem comprometer fundamentalmente os resultados da empresa. Barsi, com sua visão de sócio de longo prazo e foco no “projeto empresarial”, adora notícias ruins da empresa (desde que os fundamentos sejam mantidos) para comprá-las ainda mais barato.
Embora os métodos utilizados por Barsi e Bazin possuam pequenas diferenças, ambos constroem algo fundamental para nós investidores individuais: um método que nos possibilita tomar ações pensadas e fundamentadas e não baseada nas emoções.
Conclusão
Ambos os métodos para cálculo do preço teto projetivo, podem ser utilizados. Tanto Barsi quanto Bazin, estruturaram seus métodos, para serem fundamentados em dados e não em sentimentos.
Adotar diferentes valores projetivos para os dividendos futuros e para o dividend yield esperado, são prerrogativas do investidor individual. O valor correto a ser adotado é aquele no qual o investidor repousa sua cabeça no travesseiro e consegue dormir despreocupado.
Na ausência de outros métodos, esses são excelentes pontos de partida para nós investidores.
Caso você tenha interesse em aprender mais sobre as análises qualitativas que abordei ao longo desse artigo, talvez seja do seu interesse ler o artigo Filosofia de Investimento em Valor, pois esse agrega bastante nos critérios de análises de bons negócios.
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Forte abraço, Arlei Oliveira.

Perguntas Frequentes (FAQ)
O que é o “preço teto” no método Bazin e Barsi?
O preço teto é o valor máximo que um investidor deveria pagar por uma ação, de acordo com o método de Décio Bazin e Luiz Barsi, para garantir um retorno mínimo de 6% ao ano em dividendos. A ideia é comprar ações de boas empresas pagadoras de dividendos por um preço que ofereça uma margem de segurança e um fluxo de renda constante. 💰
Como calcular o preço teto de uma ação?
A fórmula é bastante simples:
Preço Teto = (Média dos dividendos dos últimos 5 anos) / 0,06
Média dos dividendos dos últimos 5 anos: Some os dividendos pagos por ação nos últimos 5 anos e divida por 5.
0,06: Representa os 6% de dividend yield (rendimento de dividendo) que Bazin considerava o mínimo aceitável.
Por que usar uma média de 5 anos para os dividendos?
Utilizar a média dos dividendos dos últimos 5 anos ajuda a suavizar as variações que podem ocorrer em um único ano. Isso proporciona uma visão mais realista e consistente do quanto a empresa costuma distribuir aos seus acionistas, evitando que decisões sejam tomadas com base em um ano atipicamente bom ou ruim. 📊
Onde encontrar o histórico de dividendos de uma empresa?
Você pode encontrar facilmente o histórico de dividendos de uma empresa em diversos portais de finanças e de relações com investidores. Alguns dos mais utilizados são: Status Invest, Fundamentus, Investidor10 e o site de Relações com Investidores (RI) da empresa que você está analisando.
Os métodos Bazin e Barsi ainda funcionam nos dias de hoje?
Sim, os métodos Bazin e Barsi ainda são amplamente utilizados por investidores que focam em uma estratégia de renda passiva com dividendos. No entanto, é importante lembrar que eles não devem ser os únicos critérios para a compra de uma ação. É fundamental combiná-lo com análises baseadas em investimento em valor.






