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Para que Serve o Índice Preço Lucro P/L
O índice Preço Lucro (P/L) é um dos indicadores fundamentalistas mais utilizados no mundo das ações. Ele funciona como um termômetro, ajudando a compreender o valor pago por uma fatia de uma empresa (ação). A análise é feita com relação ao lucro que a companhia realmente gera.
O Preço Lucro P/L permite enxergar o “valor” por trás do “preço” de uma ação. Afinal, ninguém deseja comprar um carro usado pagando preço de novo, certo? Com as ações, a lógica é a mesma. O P/L fornece uma pista importante sobre se a empresa está “barata” ou “cara” em comparação com o lucro que ela gera.
Mas como exatamente esse Preço Lucro funciona na prática? E o que os grandes mestres das finanças, como Warren Buffett e Peter Lynch, têm a dizer sobre ele? Na próxima seção, veremos mais detalhes por trás desse indicador fundamentalista.
Preço Lucro: A Base Que Sustenta Grandes Fortunas
Imagine que você está pensando em comprar uma pequena padaria na sua vizinhança. Você não olharia apenas o preço de venda da padaria, certo? Se o dono da padaria te pedisse R$ 500 mil ou R$ 600 mil, como você avaliaria se seria um bom ou um mau negócio?
Para isso, você também se perguntaria: “Quanto lucro essa padaria gera por ano?”. O Preço/Lucro (P/L) faz exatamente isso para as ações de uma empresa. Ele é uma das métricas de avaliação mais importantes e comumente utilizadas na análise fundamentalista de ações.
O cálculo do P/L é bem direto. A fórmula é:
✅ P/L = Preço da Ação / Lucro Por Ação (LPA)
O Lucro Por Ação (LPA) é o lucro líquido de uma empresa dividido pelo número de ações ordinárias em circulação. Por exemplo, se uma ação custa R$ 80 e o LPA da empresa é R$ 8, o P/L é 10 (R$ 80 / R$ 8 = 10). Isso significa que o mercado está pagando 10 vezes o lucro anual da empresa por aquela ação.
Entendendo o P/L: Comparativo Simples
Para facilitar a compreensão, veja este exemplo:

Neste exemplo, embora a Empresa Y tenha um preço de ação mais alto, ela pode ser um melhor investimento porque tem um P/L mais baixo. Quanto menor o P/L, menos um investidor está pagando por cada unidade de lucro da empresa.
Interpretando o P/L
Um P/L mais baixo geralmente indica que a ação está “barata” ou “subvalorizada” em relação aos seus lucros. É como encontrar um bom negócio em uma liquidação. Já um P/L mais alto pode sinalizar que o mercado tem uma expectativa de alto crescimento futuro para a empresa.
Isso pode significar que a ação está “cara” ou “supervalorizada”. As pessoas estão dispostas a pagar mais hoje por lucros que esperam que cresçam muito amanhã. Importante lembrar que investidores mais conservadores costumam ficar longe de empresas com P/L alto, justamente pelo componente “especulação” envolvido no valor esperado futuro.
Os intervalos dos índices P/L variam amplamente por setor e grupo da indústria. Por exemplo, empresas de software geralmente têm P/Ls elevados devido às expectativas de rápido crescimento, enquanto empresas de seguros têm P/Ls mais baixos, pois não crescem tão rapidamente.
O índice Preço Lucro, também é utilizado para nos dizer, quanto tempo (em anos) uma ação retornará o seu preço, no formato de lucros. Por exemplo, um P/L = 10, indica que a ação gerará o preço cobrado por ela em “lucros” no período de 10 anos. Vejamos o que os mestres nos ensinam sobre o Preço Lucro.
Os Mestres do Investimento e o Preço Lucro
A história do investimento de valor mostra uma evolução no uso do Preço Lucro. O P/L é um excelente ponto de partida para a análise de uma empresa. Contudo, ele não deve ser o único fator para a decisão de compra. Ele serve para levantar questões e direcionar a análise para outros aspectos da empresa e do mercado. Isso evita a armadilha de decisões simplistas baseadas em um único número.
Benjamin Graham, considerado o “Pai do Value Investing”, foi o mentor de Warren Buffett. Ele defendia a busca por empresas negociadas abaixo de seu valor intrínseco, sempre com uma “margem de segurança” para proteger o investimento. Saiba mais sobre “Filosofia de Investimento em Valor”.
Warren Buffett, o “Oráculo de Omaha”, apesar de não usar o P/L isoladamente como seu único filtro, centra sua filosofia de “Value Investing” em encontrar “empresas excelentes que estejam sendo negociadas a um preço abaixo do seu valor intrínseco”. Ele resume sua abordagem com a famosa frase:
“Preço é o que você paga. Valor é o que você leva”, Warren Buffett
O P/L é uma das métricas fundamentalistas que podem ajudar a identificar se uma ação está subvalorizada ou sobrevalorizada em relação aos seus lucros. No entanto, Buffett o utiliza dentro de uma análise muito mais profunda da qualidade do negócio, sua vantagem competitiva duradoura e seu fluxo de caixa previsível.
Peter Lynch, o “Mago dos Fundos”, um dos gestores de fundos mais bem-sucedidos da história, reconheceu uma limitação importante do P/L: ele não considera o crescimento futuro da empresa.
Por isso, ele popularizou o PEG Ratio. O PEG é o P/L dividido pela taxa de crescimento do lucro por ação. Para Lynch, um PEG de 1.0 significa que a ação está “justamente precificada”.
Abaixo de 1.0, ela é considerada “subvalorizada”, e acima de 1.0, “supervalorizada”. Segundo Peter Lynch, o P/L de uma empresa e o crescimento esperado devem ser iguais, o que denota uma empresa com valor justo e suporta um índice PEG de 1.0.
Isso mostra que ele precisou adaptar e evoluir o conceito do P/L para ter uma visão mais completa e dinâmica, incorporando a expectativa de crescimento. Essa narrativa histórica demonstra que as ferramentas de análise financeira não são estáticas.
Elas evoluem com o tempo e com a experiência dos grandes investidores. Isso nos instiga a pensar criticamente e a entender que o investimento é um campo de aprendizado contínuo e aperfeiçoamento de métodos.
Preço Lucro no Dia a Dia: Encontrando Oportunidades
Pense na última vez que você fez uma compra importante, como um carro (usado) ou um imóvel. Não olhou só o preço, certo?
Pesquisou o histórico, a manutenção, a valorização futura, o custo-benefício que aquele bem traria para a vida. Se um carro de luxo custa R$ 200 mil, mas seu custo de manutenção anual é R$ 50 mil e ele desvaloriza rapidamente, talvez não seja um bom negócio.
Mas se um carro mais simples custa R$ 50 mil, tem manutenção barata e você sabe que ele o levará ao trabalho por muitos anos sem dor de cabeça, o “valor” dele é muito maior para sua realidade.
O P/L ajuda a fazer essa mesma análise para empresas: qual o “benefício” (lucro) que se está recebendo pelo “preço” que se está pagando? Ao usar exemplos do dia a dia como a compra de um carro ou imóvel, o conceito abstrato do P/L se torna mais claro e intuitivo.
Isso nos ajuda a entender a lógica desse indicador, percebendo que a análise de valor já faz parte das suas decisões diárias, apenas em um contexto diferente.
Indo além, já notou como o preço de um produto no supermercado pode mudar de repente por causa de uma notícia na economia, como uma inflação alta ou uma crise?
Com as ações, o cenário é parecido. Uma notícia sobre a queda de lucros de uma empresa, por exemplo, pode fazer o preço da ação cair e, consequentemente, alterar o P/L dela.
O mercado reage, às vezes de forma exagerada e emocional, a eventos de curto prazo, criando oportunidades (ou armadilhas) para quem sabe analisar os fundamentos de longo prazo.
O que acontece se o lucro de uma empresa cai de repente? O P/L dela muda na hora? E se o mercado está super empolgado com uma empresa que ainda nem dá lucro, o P/L dela seria altíssimo ou até negativo, certo? Isso é bom ou ruim? Como posso saber se uma notícia ruim sobre uma empresa é uma oportunidade ou um problema sério?
Entendeu como o Preço Lucro está mais presente no seu dia a dia do que você imaginava? Ele é uma ferramenta poderosa para comparar o que se paga com o que se leva. Vejamos um exemplo recente de P/L sendo alterado, para o Banco do Brasil BBAS3.
Preço Lucro na Prática: Banco do Brasil
Antes de entrar no exemplo do Banco do Brasil, preciso fazer uma observação super importante, preste atenção! O Preço Lucro não anda sozinho. Lembra que o P/L é como um raio-X? Um raio-X dá uma pista, mas o médico precisa de mais exames para um diagnóstico completo e preciso.
O mesmo vale para o P/L. Ele tem suas limitações e não deve ser o único fator na sua decisão de investimento.
Um P/L alto não garante supervalorização, nem um P/L baixo garante subvalorização (ou mudança de um sentido para o outro). Além disso, o P/L retrospectivo (baseado em dados passados), não garante que os lucros permanecerão os mesmos. Existe o risco de manipulação contábil que pode criar relatórios de lucros enganosos (vide o caso das Lojas Americanas AMER3).
As estimativas de lucros futuros (para o P/L prospectivo) podem ser imprecisas. Por isso, investidores devem considerar outros dados, como dividendos, lucros futuros projetados e nível de endividamento. É crucial analisar múltiplos indicadores em conjunto, pois focar em apenas um pode levar a conclusões equivocadas.
Além disso, conhecer profundamente a empresa a qual se deseja se tornar sócio, é fundamental para o sucesso a longo prazo. Nada de Buy & Forget (Compre e Esqueça) aqui, por favor 🤣.
Observações feitas, vamos ao estudo de caso.
No 1º trimestre de 2025, o Banco do Brasil (BBAS3) reportou um lucro líquido ajustado de R$ 7,37 bilhões. Isso representou uma queda de 20,7% em comparação com o mesmo período de 2024.
O valor ficou abaixo das expectativas do mercado.Por que isso aconteceu? Essa queda foi influenciada por diversos fatores. Houve diminuição da margem financeira bruta e aumento da inadimplência, especialmente no setor agropecuário. O setor agropecuário para o Banco do Brasil, é seu ponto forte, e ponto fraco também! Vide relatório resumido 1T25.

O setor agropecuário representa cerca de um terço da carteira de crédito do banco. Além disso, a implementação de novas regras contábeis que exigem provisionamento antecipado de perdas impactou negativamente a receita líquida de juros. Outros bancos não sofreram os mesmos impactos, pois já haviam adotado a nova forma de provisionar e reportar tais provisionamentos nos balanços (simplificando o financês, a provisão diminui o Lucro Líquido).
A reação do mercado foi imediata e negativa. As ações do BBAS3 caíram mais de 15%, com o preço de fechamento (03/06/2025) abaixo de R$ 23,00. O mercado ficou preocupado com a lucratividade e os riscos associados ao setor agropecuário e às novas regras.
O que os indicadores diziam (e dizem) após a queda? Mesmo com a queda, o BBAS3 passou a ser negociado com um P/L de 6,07 e um VPA de 31,72. Ambos os valores ficaram abaixo de suas médias históricas.


No caso do VPA, o investidor estará pagando por volta de R$ 23,00 para cada patrimônio de R$ 31,72 do Banco do Brasil (grosso modo).
Isso pode indicar que a ação ficou “barata” após a queda, sugerindo uma possível subvalorização.
Então, essa queda no Banco do Brasil é uma chance de comprar barato ou um sinal de que a empresa está com problemas sérios que vão piorar? Como posso saber se um P/L baixo, como o do BBAS3, é uma oportunidade real ou se é uma “armadilha de valor”?
O caso do Banco do Brasil ilustra perfeitamente como o mercado pode reagir de forma exagerada a notícias de curto prazo. A queda nos lucros e a reação negativa do mercado criaram um P/L e P/VPA (Preço dividido pelo Valor Patrimonial por Ação) que podem ser considerados “atraentes” para investidores de valor.
Para quem pensa no longo prazo, essa pode ser uma “liquidação” temporária. Isso é especialmente verdadeiro considerando o alto Dividend Yield e a forte posição de mercado do banco, apesar dos riscos de inadimplência e políticos.
Mas lembre-se, a análise não pode ser realizada apenas com um ou dois indicadores, isso seria muito arriscado e imprudente!
Agora que você já aprendeu tudo sobre o P/L, usando na prática o Banco do Brasil, aprofunde-se mais, lendo “Investimento em Valor”. De forma complementar, aprender a calcular o valor intrínseco de uma ação usando o Fluxo de Caixa Descontado, pode te ajudar também.
Forte abraço!







