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Entenda como o Sr Mercado vem sangrando as cotações das ações do Banco do Brasil e quais são as únicas perguntas que realmente importam.
O Sr Mercado e as Ações do Banco do Brasil
“O mercado deveria ser irrelevante. Se eu pudesse convencê-lo acerca desse único ponto, eu sentiria que o livro já teria realizado sua tarefa.”
Peter Lynch
Vamos começar esse artigo, usando essa frase célebre de Peter Lynch como referência. Peter Lynch em seu livro, “O Jeito Peter Lynch de Investir”, apresenta inúmeros fatos e argumentos sobre os investimentos que ele fez, enquanto gestor de fundos.
Mostrou com riqueza de detalhes, as oscilações que o mercado impunha sobre os ativos que estavam na sua carteira. Também descreve o mercado agindo de forma impulsiva em determinados momentos, tanto de forma eufórica quanto em pânico.
Isso fazia os preços das ações de sua carteira, estarem sobrevalorizadas ou subvalorizadas em determinados momentos, sem que houvesse uma razão lógica e evidente para aquilo.
Mas Peter Lynch não estava sozinho a se referir dessa forma ao Mercado. Vejamos.
O termo Sr. Mercado foi criado pelo lendário Benjamin Graham em seu livro “O investidor inteligente”. Ele fez essa alegoria, referenciando o Sr Mercado com um sujeito que tem variações bruscas no humor.
Em um dia o Sr Mercado acorda eufórico dizendo para todo mundo que sua empresa é a melhor do mundo, e se oferece para comprar as ações das outras pessoas. No outro dia ele acorda pessimista dizendo que sua empresa é a pior do mundo, e se oferece para vender suas ações por preços ridículos.
Quando observamos essa alegoria desenhada pelo mestre Benjamin Graham e posteriormente citada no livro do Peter Lynch, algumas coisas vem à minha mente.
O que está acontecendo com as ações do Banco do Brasil? O Sr Mercado está em um estado de euforia ou de pânico? Vejamos.
Análise dos Resultados Recentes das Ações do Banco do Brasil
Vamos começar a análise dos resultados apontados pelas casas de investimento, observando a queda na cotação das ações do Banco do Brasil, ocorrida no mês de maio de 2025.

No dia 13/05/2025 a cotação das ações do Banco do Brasil estava em R$ 29,70, menos de um mês depois no dia 11/06/2025 a cotação das ações do Banco do Brasil estava em R$ 21,46. Isso representa uma queda de 27,74%.
Como observado, é uma queda expressiva. Não é todo dia que vemos uma queda de quase 30% em um ativo listado na bolsa de valores.
Agora vamos entender o que o Mercado precificou nas ações do banco do Brasil, que fez o preço desabar.
A Justificativa do Mercado
O principal sinal de alerta veio da linha final do balanço. O banco reportou um lucro líquido de R$ 7,3 bilhões, um número que foi amplamente classificado como “decepcionante” e que efetivamente “assustou o mercado”. A magnitude da frustração torna-se clara quando se observa a trajetória recente da instituição.
Este resultado representa uma queda expressiva tanto na comparação sequencial, frente aos R$ 9,58 bilhões registrados no quarto trimestre de 2024 (4T24), quanto na comparação anual, contra os R$ 9,3 bilhões do primeiro trimestre de 2024 (1T24).
O mercado sinalizou nesta análise, que a causa para a queda da lucratividade aponta para um vetor principal, a deterioração da qualidade da carteira de crédito, com foco especial no segmento do agronegócio.
Mas, além da queda da lucratividade apontada no parágrafo anterior, houve também uma mudança na classificação contábil do chamado PDD (Provisões para Devedores Duvidosos), por conta de uma mudança na forma como esses valores devem ser colocados nos demonstrativos financeiros.
Para que não nos alonguemos demais no detalhamento, sobre as regras contábeis que mudaram a forma de apresentar o PDD nos demonstrativos financeiros, farei apenas um breve resumo.
Na legislação anterior, os empréstimos realizados para os clientes eram computados na carteira de crédito, sem afetar o PDD, mesmo que o banco suspeitasse que esse cliente não iria arcar com os pagamentos na data acordada, o que aumentava o resultado final do banco.
Pois, anteriormente, o valor do PDD só era adicionado, caso realmente fosse constatado que o devedor não honraria seus compromissos. Com a nova legislação, alterada para ficar mais aderente ao padrão Internacional IFSR, os bancos passaram a ter que demonstrar os estágios dessa dívida, adicionando valores ao PDD.
Sendo assim, na nova legislação contábil, os bancos terão que colocar mais valores no seu PDD, de acordo com o estágio do não pagamento das dívidas pelos devedores, fazendo com que o resultado exibido no final, seja menor.
E agora você deve estar se perguntando: mas essa legislação não é para todos os bancos? Sim, essa legislação é para todos os bancos. A diferença é que os outros grandes bancos fizeram uma transição mais suave, refletindo essas mudanças gradativas nos seus balanços trimestrais de anos anteriores.
O Banco do Brasil não fez essa transição suave e teve que mostrar toda a diferença do PDD, numa única porrada, refletida no balanço do primeiro trimestre de 2025. Isso causou pânico no mercado.
Além disso, houve o aumento da inadimplência e uma piora na carteira de crédito do agronegócio, que é o carro chefe do Banco do Brasil. Isso também faz com que o mercado precifique as ações do Banco do Brasil bem abaixo dos seus concorrentes.
Isso pode ser observado na figura a seguir, na qual a inadimplência apontada para o 1T25, chegou a 3,9%.

Vejamos agora as recomendações das Casas de Research.
O que as Casas de Research Estão Falando das Ações do Banco do Brasil
O Banco Genial, está recomendando manter as ações do Banco do Brasil, sugerindo um preço alvo de R$ 31,40 e potencial de crescimento de 42,79%, conforme figura abaixo.

De certa forma, podemos ver que várias Casas de Research, mudaram sua a classificação para baixo, para o Banco do Brasil. A grande maioria saiu de compra para neutra e em alguns casos mais pessimistas como o do Bank of America, alterou sua recomendação para venda. Veja as principais classificações para o banco do Brasil de acordo com as informações mais recentes.

Vejamos agora, o que realmente importa, para quem é investidor de longo prazo.
As Únicas Perguntas Que Importam sobre as Ações do Banco do Brasil
No caso do Banco do Brasil, o seu maior defeito é a sua maior qualidade. O Banco do Brasil é detentor da maior carteira de agronegócio do sistema financeiro brasileiro.
Farei agora, algumas perguntas fundamentais, que todos os investidores precisam fazer, quando pensarem no Banco do Brasil:
- O agronegócio brasileiro, daqui a 20 anos, estará maior ou menor do que hoje?
- As pessoas vão precisar de mais comida ou menos comida daqui a 20 anos?
- O movimento de Donald Trump nos Estados Unidos, para aumentar a industrialização do país, fará com que os Estados Unidos compre mais ou menos produtos do agronegócio brasileiro?
- Um produtor brasileiro precisará de mais ou menos empréstimos financeiros daqui a 20 anos?
- O Banco do Brasil estará emprestando mais ou menos dinheiro para o agronegócio daqui a 20 anos?
Devemos ter um panorama muito bem desenhado sobre o que é investir em ações. Eu faço um trabalho diário aqui para ensinar o que é uma ação e para ensinar que você deve investir em ações que vão perdurar durante vários anos na bolsa de valores.
As perguntas que te mostrei acima, são para guiar você na sua jornada e na tomada de decisões. Você não pode ficar simplesmente seguindo Casas de Research cegamente.
Perceba que nenhuma das perguntas acima estão relacionadas ao valor da ação, apesar de eu já ter ensinado um método aqui, sobre como calcular o preço de uma ação.
E por que quando pensamos em uma empresa para nos tornarmos sócio o que menos importa é o preço da ação? Porque o preço da ação é o que o Sr. Mercado está oferecendo naquela manhã.
Se ele acordou de bom humor, vai cobrar mais caro pela empresa. Se ele acordou de mau humor, vai cobrar mais barato pela empresa.
Nesse momento, você acha que o Sr. Mercado está de bom ou mau humor?
Tire suas próprias conclusões e decida! Esse momento é um momento favorável para comprar ações do Banco do Brasil ou não?
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Muito obrigado por ter ficado até aqui.
Forte abraço, Prof. Arlei.







