Navegação Rápida
No dinâmico e, por vezes, caótico universo dos investimentos, as decisões nem sempre são guiadas pela lógica fria dos números. Uma força psicológica poderosa, amplificada pela era digital, pode levar até os investidores mais cautelosos a cometerem erros caros. Essa força é o FOMO, ou o Medo de Ficar de Fora.
Compreender o que é o FOMO, como ele se manifesta e, mais importante, como controlá-lo, é uma habilidade essencial para quem busca sucesso financeiro a longo prazo. Este guia completo irá dissecar o fenômeno, fornecer exemplos reais e oferecer estratégias práticas para que você possa controlar o FOMO antes que ele controle seus investimentos.
O que é FOMO em Investimentos?
Para navegar com segurança no mercado financeiro, é fundamental entender o FOMO não apenas como uma sigla, mas como um fenômeno psicológico com raízes profundas e consequências significativas.
Significado de FOMO
FOMO é o acrônimo da expressão inglesa “Fear of Missing Out”, que se traduz como “Medo de Ficar de Fora“. No contexto dos investimentos, descreve o fenômeno psicológico em que um investidor experimenta uma ansiedade intensa por acreditar que está perdendo uma oportunidade de investimento potencialmente lucrativa.
Essa sensação é frequentemente desencadeada ao observar outras pessoas obtendo sucesso ou participando de uma tendência de mercado que parece promissora, como uma alta expressiva no mercado de criptomoedas.
As raízes do FOMO, no entanto, vão além do mercado financeiro. Ele origina-se de uma necessidade humana fundamental de pertencimento e da ansiedade social de ser excluído. O termo foi estudado pela primeira vez na década de 1990 pelo estrategista de marketing Dr. Dan Herman, e mais tarde, Patrick J. McGinnis aplicou o conceito ao mundo financeiro, observando a ansiedade social que cercava as decisões de investimento.
Embora o sentimento seja antigo, sua intensidade é massivamente amplificada na era digital, onde o fluxo constante e instantâneo de informações cria um ambiente de urgência e comparação.
Como o FOMO Afeta as Decisões Financeiras
O FOMO atua sequestrando o processo de tomada de decisão racional. Ele aciona centros emocionais do cérebro, levando a escolhas impulsivas que ignoram a análise criteriosa. Em vez de avaliar os fundamentos de um ativo, o investidor passa a seguir tendências de mercado simplesmente por medo de perder a “onda”.
Este fenômeno é o principal motor do que se conhece como “efeito manada” (herd effect). Investidores, especialmente os novatos, tendem a seguir as ações da maioria sem possuir uma estratégia clara, o que frequentemente os leva a comprar ativos na alta (pico da euforia) e a vender na baixa (pânico), resultando em prejuízos.
Esse comportamento é um viés cognitivo perigoso, onde o conforto de estar no meio da multidão é confundido com a certeza de que a decisão está correta.
Curiosamente, o FOMO pode ter um efeito contrário. O excesso de informações e o medo de tomar a decisão errada podem levar à “paralisia por análise”, um estado em que o investidor fica tão sobrecarregado que não consegue agir, perdendo assim oportunidades genuínas por pura indecisão.
Este fenômeno relacionado é por vezes chamado de FOBO ou Medo de uma Opção Melhor.
Exemplos Reais do Mercado
A história dos mercados financeiros está repleta de episódios em que o FOMO foi o protagonista, inflando bolhas especulativas que, invariavelmente, estouraram.
- A bolha da Internet: Este é um exemplo clássico e ocorreu em grande escala. Nos anos 90, o surgimento da internet foi visto como um “novo paradigma” que gerou um otimismo sem precedentes. O sucesso inicial de empresas de tecnologia criou um “modismo” que rapidamente evoluiu para uma “euforia” generalizada. Investidores começaram a alocar capital massivamente em ações de empresas de internet, não com base em seus lucros ou modelos de negócio (muitos dos quais eram inexistentes), mas pelo medo avassalador de ficar de fora dos ganhos extraordinários que outros pareciam estar obtendo. Este “efeito adesão” é a manifestação pura do FOMO em ação. Quando a realidade se impôs e ficou claro que as projeções de crescimento eram insustentáveis, o pânico substituiu a euforia, levando a um colapso devastador do mercado.
- GameStop: Um exemplo moderno alimentado por redes sociais. A GameStop (GME), uma varejista de videogames em dificuldades, estava sendo massivamente vendida a descoberto (short selling) por grandes fundos de investimento (hedge funds). Uma comunidade de investidores de varejo percebeu essa vulnerabilidade e organizou uma compra coordenada das ações. A valorização inicial, impulsionada por essa ação e amplificada por figuras como Elon Musk com seu famoso tweet “Gamestonk!!”, desencadeou um FOMO de proporções épicas. Milhões de investidores entraram na onda, não por acreditarem nos fundamentos da GameStop, mas pelo medo de perderem um evento histórico de short squeeze e a chance de lucros astronômicos e rápidos.
Fundamentalmente, o FOMO explora um dos nossos instintos mais básicos: a prova social. O perigo não é apenas o medo de perder um ganho; é o medo de ser o único a ficar para trás.
A bolha da internet e o caso GameStop não foram apenas fenômenos financeiros, foram fenômenos sociais onde a validação da multidão substituiu temporariamente a validação das métricas financeiras.
O FOMO, portanto, é um atalho cognitivo que dá errado, aplicando nosso desejo inato de conformidade social a um domínio que exige análise independente e racional.
Por que o FOMO é tão Perigoso para Investidores?
O FOMO não é apenas um sentimento desconfortável, e sim um catalisador para decisões que podem destruir patrimônios. Para se proteger, é crucial entender os mecanismos que o tornam tão destrutivo.
A influência das Redes Sociais e da Mídia
Se o FOMO é o fogo, as redes sociais são o combustível, funcionando como aceleradores, criando um ambiente de alta pressão ao exibir constantemente histórias de sucesso, lucros exorbitantes e “dicas quentes”, gerando um senso de urgência artificial.
Nesse ecossistema, surgem os “finfluencers” (influenciadores financeiros). Embora alguns possam oferecer conteúdo educacional valioso, muitos se concentram em criar hype em torno de certos ativos, fazendo recomendações sem considerar o perfil de risco ou os objetivos individuais de seus seguidores.
Um estudo recente destacou a complexa relação entre consumidores e influenciadores, mostrando como um forte apego a essas personalidades pode impactar o bem-estar do seguidor.
O ciclo de notícias 24 horas e os feeds de redes sociais criam uma sobrecarga de informações, tornando extremamente difícil separar o sinal do ruído. Isso pode levar a “câmaras de eco”, onde uma narrativa específica — como “esta ação vai para a lua” — é repetida e amplificada até parecer uma verdade inquestionável, isolando o investidor de visões contrárias.
O Medo de Ficar de Fora x Análise Racional
O FOMO é, em sua essência, uma resposta emocional, não analítica. Ele ativa os centros de medo e ganância do cérebro, resultando em ações impulsivas. Esse processo é o completo oposto da análise racional, que exige calma, objetividade e uma avaliação metódica dos fatos.
O perigo mais fundamental do FOMO é que ele leva os investidores a abandonar suas estratégias predefinidas. Um investidor pode ter um plano sólido e bem pesquisado, focado em valor e crescimento a longo prazo.
No entanto, o medo de perder uma alta de curto prazo pode fazê-lo desviar desse plano para perseguir um ativo da moda, minando todo o seu planejamento estratégico.
É crucial lembrar que “nem sempre a grama do vizinho é tão verde assim”. As redes sociais funcionam como um rolo de destaques, exibindo apenas as vitórias e escondendo as perdas dolorosas, o que cria uma percepção distorcida e perigosa do mercado.
Erros Comuns Cometidos por Causa do FOMO
Quando o FOMO assume o controle, uma série de erros de investimento previsíveis e destrutivos tende a ocorrer:
- Comprar na Alta e Vender na Baixa: Este é o erro clássico do investidor movido pelo FOMO. Ele entra no mercado no auge da euforia, quando os preços já estão esticados, e vende em pânico na primeira correção significativa, realizando prejuízos.
- Ignorar a Diversificação: Tomado pelo entusiasmo por um único ativo “quente”, o investidor pode concentrar uma parte perigosamente grande de seu portfólio nesse ativo. Isso viola o princípio fundamental da diversificação e o expõe a um risco catastrófico caso esse ativo venha a cair.
- Negociação Excessiva (Over-trading): A necessidade constante de perseguir a próxima “grande oportunidade” leva a uma compra e venda frenética de ativos. Essa atividade gera custos elevados com taxas de corretagem e impostos, que corroem a rentabilidade da carteira ao longo do tempo.
- Investir Sem a Devida Diligência: O FOMO incentiva o investimento baseado em hype e não em pesquisa. Isso significa comprar ativos sem entender o modelo de negócio, a saúde financeira, o cenário competitivo ou os riscos envolvidos. É um caminho direto para cair em golpes ou investir em empresas fundamentalmente fracas.
- Uso de Alavancagem Excessiva: O desejo por ganhos rápidos e exponenciais pode levar o investidor a usar alavancagem (operar com margem) sem compreender plenamente os riscos. A alavancagem amplifica não apenas os ganhos, mas também as perdas, podendo levar à ruína financeira rapidamente.
O verdadeiro perigo do FOMO não reside apenas na perda financeira de uma única operação ruim, mas na destruição da estrutura de tomada de decisão do investidor. Ele substitui a disciplina pela impulsividade, tornando o investidor vulnerável a todas as futuras manias do mercado.
Cada vez que um investidor cede ao FOMO, ele não está apenas tomando uma decisão ruim, mas reforçando um processo ruim, treinando seu cérebro para reagir a gatilhos emocionais em vez de analíticos. Isso cria um ciclo vicioso que corrói a base da disciplina de investimento, comprometendo a integridade estrutural de todo o seu portfólio.
Como Identificar o FOMO no seu Comportamento Financeiro
Reconhecer o FOMO em teoria é uma coisa; identificá-lo em suas próprias ações e pensamentos é o passo crucial para retomar o controle. Esta seção funciona como um guia de autodiagnóstico.
Sintomas Psicológicos e Comportamentais
O FOMO manifesta-se através de sinais internos (psicológicos) e externos (comportamentais). Fique atento a estes indicadores:
Sinais Psicológicos:
- Ansiedade e preocupação constantes com o mercado, mesmo quando você não está operando.
- Sentimentos de inveja, estresse ou baixa autoestima ao ver os ganhos de outras pessoas nas redes sociais.
- Dificuldade de concentração em outras áreas da vida, como trabalho e relacionamentos, devido à preocupação com seus investimentos.
- Alterações no sono (insônia, pesadelos) ou no apetite que coincidem com a volatilidade do mercado.
- Em casos mais graves, o FOMO pode ser um gatilho para crises de ansiedade, pânico e até depressão.
Sinais Comportamentais:
- Verificar compulsivamente gráficos, notícias e redes sociais em busca de atualizações.
- Dedicar tempo excessivo a plataformas de negociação ou ao consumo de conteúdo financeiro, negligenciando outras atividades.
- Tomar decisões de investimento impulsivas baseadas em dicas de amigos, familiares ou influenciadores digitais.
- Ignorar pessoas ao seu redor para checar o celular em busca de notícias do mercado, um comportamento conhecido como phubbing.
Sinais de Alerta na Hora de Investir
Além dos sintomas gerais, existem bandeiras vermelhas específicas que surgem no momento da decisão de investimento:
- O Sentimento de Urgência: Uma forte sensação de que você “precisa comprar agora” ou será “tarde demais” é um dos maiores sinais de alerta.
- Justificativa Baseada no Preço: Se a sua principal razão para comprar um ativo é simplesmente “porque o preço está subindo”, você provavelmente está agindo com base no FOMO, e não em uma análise sólida.
- Abandonando seu Checklist: Realizar um investimento que não atende aos seus critérios preestabelecidos (por exemplo, valuation, setor, nível de risco) é um sinal claro de que a emoção está no comando.
- Investir no que Você Não Consegue Explicar: Se você não consegue explicar a tese de investimento de forma simples para outra pessoa, é provável que você não a entenda bem o suficiente e esteja apenas seguindo o hype.
- Pressão de Eventos de Mercado: Sentir-se pressionado a participar de uma Oferta Pública Inicial (IPO) muito aguardada apenas para “fazer parte do movimento”, mesmo que a empresa não se encaixe em sua estratégia de longo prazo.
Teste Rápido: Você Está Sofrendo de FOMO?
Responda honestamente às perguntas abaixo. Este não é um diagnóstico clínico, mas uma ferramenta de autorreflexão para avaliar o quanto o FOMO pode estar influenciando suas decisões.
- Você verifica a cotação dos seus investimentos várias vezes ao dia, mesmo quando não tem a intenção de comprar ou vender?
- Você já comprou um ativo principalmente porque viu um influenciador ou um grupo em uma rede social falando sobre um potencial de alta explosiva?
- Você sente ansiedade, arrependimento ou inveja quando um ativo que você considerou comprar, mas não comprou, dispara de preço?
- Você já investiu uma quantia maior do que a planejada em um único ativo por medo de “perder a oportunidade”?
- Suas conversas sobre investimentos giram mais em torno de “dicas quentes” e ganhos rápidos do que em estratégias de longo prazo e fundamentos?
- Você tem dificuldade de se desconectar do mercado, e isso já afetou seu sono, sua concentração no trabalho ou seu humor?
Se você respondeu “sim” a várias dessas perguntas, é um forte indicativo de que o FOMO está exercendo uma influência perigosa sobre seu comportamento financeiro. As estratégias a seguir foram desenhadas para ajudá-lo a retomar o controle.
O objetivo não é eliminar as emoções, mas reconhecer quando a emoção se tornou o principal motor de uma decisão e, assim, construir um “alarme de incêndio psicológico” que dispara quando esses padrões de comportamento emergem.
Estratégias Práticas para Evitar o FOMO ao Investir
A boa notícia é que o FOMO pode ser gerenciado. Com as ferramentas e a mentalidade certas, é possível construir defesas robustas contra esse impulso destrutivo.
Estabeleça Metas e Siga um Plano
A arma mais poderosa contra o ruído de curto prazo do mercado é um plano de investimentos claro, documentado e com metas de longo prazo bem definidas. Seja para a aposentadoria, a educação dos filhos ou a compra de um imóvel, ter um “norte” claro ajuda a manter o foco.
Um plano fornece disciplina e um critério objetivo para avaliar novas oportunidades. A pergunta deixa de ser “este ativo está na moda?” e passa a ser “este ativo me ajuda a alcançar meu objetivo?”. Adotar uma perspectiva de longo prazo naturalmente reduz o impacto da volatilidade diária e a tentação de reagir a cada oscilação do mercado.
Faça uma Análise Fundamentalista
A análise fundamentalista é o escudo racional contra as flechas emocionais do FOMO. É a prática de avaliar um ativo com base em seu valor intrínseco — o que ele realmente vale — em vez de se guiar apenas por seu preço de mercado atual.
Isso envolve um estudo aprofundado da saúde financeira da empresa (balanços, demonstrativos de resultados), da qualidade de sua gestão, de sua posição competitiva no setor e de fatores macroeconômicos que podem afetá-la.
Ao basear suas decisões em dados e valor, você cria um contraponto lógico ao hype. Se uma ação da moda apresenta fundamentos fracos, sua análise funcionará como um sinal vermelho claro, impedindo que você se junte à manada.
Defina seu Perfil de Investidor
Conhecer a si mesmo é o primeiro passo para investir bem. Seu perfil de investidor (conservador, moderado ou arrojado) é uma classificação que reflete sua tolerância ao risco, seus objetivos financeiros e seu horizonte de tempo.
No Brasil, as instituições financeiras são obrigadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a realizar um teste de adequação (suitability) para definir esse perfil.
Este não é um mero procedimento burocrático e sim uma ferramenta crucial de autoproteção que ajuda a evitar que você assuma riscos maiores do que pode suportar, tanto financeira quanto emocionalmente.
Agir contra o seu perfil — por exemplo, um investidor conservador que, por FOMO, decide apostar em um criptoativo extremamente volátil — é uma receita para ansiedade, noites mal dormidas e decisões ruins.
Crie uma Política de Investimentos Pessoal
Para levar sua disciplina a um nível profissional, considere criar uma Política de Investimentos Pessoal (do inglês, Investment Policy Statement ou IPS). Este é um documento escrito, usado por gestores de fundos profissionais, que você pode adaptar para suas finanças pessoais.
Um IPS funciona como sua constituição de investimentos pessoal. Ele detalha seus objetivos, tolerância ao risco, estratégia de alocação de ativos, necessidades de liquidez e as regras para rebalancear sua carteira. Este documento se torna seu guia racional durante períodos de euforia ou pânico.
Quando sentir o impulso do FOMO, você pode consultá-lo e perguntar: “Esta ação está alinhada com a minha política?”. Isso cria uma barreira poderosa e objetiva contra a impulsividade.
Essas estratégias formam um sistema de defesa de múltiplas camadas. O perfil de investidor é a fundação (quem você é). As metas e o plano são a direção estratégica (para onde você vai). A análise fundamentalista é a ferramenta tática (como você avalia o caminho). E o IPS é a constituição que une tudo, garantindo que você permaneça no curso.
Use o FOMO como Motivação, Não como Impulso
O sentimento de FOMO não é inerentemente mau; a reação descontrolada a ele é que é perigosa. Em vez de vê-lo como um inimigo a ser suprimido, você pode começar a vê-lo como um sinal. Um sinal para começar sua pesquisa, e não para terminá-la com um clique apressado no botão “comprar”.
Como usar o FOMO de Forma Inteligente nos Investimentos
Para o investidor avançado, o FOMO pode ser transformado de uma ameaça em uma fonte de informação. Trata-se de mudar a perspectiva de um participante do mercado, arrastado pela maré emocional, para a de um observador que analisa a própria maré.
Transformando Medo em Informação Estratégica
Em vez de agir impulsivamente, use o sentimento de FOMO como um gatilho para fazer perguntas: “Por que este ativo se tornou tão popular de repente? Qual é a narrativa que está impulsionando essa euforia?”. Isso transforma uma reação emocional interna em uma investigação analítica externa.
A euforia extrema do mercado, que alimenta o FOMO, muitas vezes funciona como um indicador contrário (contrarian indicator). Quando todos estão gananciosos e comprando sem critério, pode ser um sinal de que o mercado está superaquecido e que a cautela é a melhor abordagem.
Ferramentas como o Crypto Fear & Greed Index (Índice de Medo e Ganância) podem ajudar a quantificar esse sentimento. Uma pontuação de “Ganância Extrema” é um alerta de que o FOMO está desenfreado, sugerindo que é hora de redobrar a atenção.
Aprendendo com a Movimentação do Mercado
Estude os movimentos impulsionados pelo FOMO, como o caso GameStop, como verdadeiras aulas de psicologia de mercado. Entender como as narrativas são construídas e como elas influenciam as multidões é uma habilidade valiosa para identificar bolhas futuras.
Aprenda a reconhecer os padrões da euforia: um aumento súbito na cobertura da mídia, um influxo de investidores novatos e um descolamento claro entre o preço do ativo e seu valor fundamental.
Use o hype gerado pelo FOMO para descobrir novos setores ou tecnologias, mas, em seguida, aplique uma análise fundamentalista rigorosa para separar as oportunidades genuinamente promissoras das bolhas especulativas. O hype coloca o ativo no seu radar; sua análise decide se ele merece permanecer lá.
Exposição Consciente x Efeito Manada
É humano sentir o desejo de participar de jogadas de alto risco e alta recompensa. Uma abordagem disciplinada para isso é alocar uma porção muito pequena e predefinida do seu portfólio (por exemplo, 1% a 5%) para um “balde especulativo”.
Isso permite que você assuma um risco consciente e calculado em um ativo da moda, sem comprometer suas metas financeiras principais. Você está escolhendo especular com um dinheiro que pode se dar ao luxo de perder, em vez de ser impelido pelo medo a arriscar um dinheiro que é essencial para o seu futuro.
Essa é a diferença fundamental: seguir a manada é uma reação inconsciente e emocional; a exposição consciente é uma decisão deliberada, estratégica e com risco gerenciado.
O Papel da Inteligência Emocional nas Decisões Financeiras
Todas as estratégias discutidas até agora dependem de uma competência subjacente: a inteligência emocional. É ela que permite a um investidor executar um plano racional sob intensa pressão emocional.
Autoconhecimento como Ferramenta de Proteção
Inteligência Emocional (IE), no contexto financeiro, é a capacidade de reconhecer, entender e gerenciar suas próprias emoções para tomar decisões mais sábias. O autoconhecimento, um pilar da IE, é o processo de identificar seus gatilhos pessoais para o FOMO, a ganância ou o pânico. É uma notícia específica? É ver o sucesso de um amigo?
Com essa consciência, você pode criar um espaço crucial entre o gatilho emocional e sua ação. Em vez de reagir impulsivamente, você aprende a pausar, reconhecer a emoção (“Estou sentindo FOMO agora”) e, então, escolher uma resposta racional que esteja alinhada com seu plano de longo prazo.
Técnicas para Manter o Controle Emocional
Além do autoconhecimento, algumas técnicas práticas podem fortalecer seu controle emocional:
- Ancore-se no seu Plano: Ter um plano de investimentos e um IPS bem definidos funciona como uma âncora de racionalidade em um mar de emoções. Ele é seu guia objetivo quando tudo ao redor parece caótico.
- Use a Diversificação como Redutor de Estresse: Uma carteira bem diversificada diminui o impacto emocional do mau desempenho de um único ativo. Isso reduz a ansiedade geral e a probabilidade de tomar decisões de pânico.
- Busque Orientação Profissional: Para muitos, contar com o apoio de um assessor de investimentos qualificado pode fornecer uma perspectiva objetiva e isenta de emoção, atuando como um amortecedor psicológico durante períodos de alta volatilidade.
Controle o FOMO Antes que Ele Controle seus Investimentos
O FOMO é uma força psicológica inegável, intensificada pela tecnologia e pela conectividade constante do mundo moderno. Ignorá-lo é se expor a um dos maiores riscos do mercado: o risco de suas próprias emoções.
Ele pode desviar os planos de investimento mais bem-intencionados, transformando estratégias racionais em reações impulsivas e, muitas vezes, desastrosas.
A defesa, como vimos, é uma abordagem dupla. Exige a construção de estruturas externas robustas — um plano de investimentos, um perfil de risco definido, uma política pessoal e uma metodologia de análise — e o cultivo de uma resiliência interna inabalável, fundamentada na inteligência emocional, no autoconhecimento e na disciplina.
Ao entender a psicologia por trás do FOMO e ao implementar as estratégias para identificá-lo e gerenciá-lo, você se capacita. Você transforma um dos maiores perigos do mercado em uma fonte de força e vantagem estratégica.
O objetivo final não é eliminar o medo ou a ganância, pois são emoções humanas. O objetivo é dominá-los, garantindo que suas decisões financeiras sejam sempre guiadas por sua inteligência, e não por seus impulsos.
Agora que você já conhece tudo que necessita para evitar o FOMO e tomar decisões estratégicas mais adequadas ao seu perfil de investidor, que tal seguir para os artigos: O que é uma Ação e Investimento em Valor, para descobrir como os grandes mestres dos investimentos, escolhem e montam suas estratégias?
Forte abraço, Arlei Oliveira.

Perguntas Frequentes (FAQ)
O FOMO só acontece com investidores iniciantes?
Não. Embora investidores iniciantes sejam mais suscetíveis por terem menos experiência e, talvez, uma estratégia menos definida, investidores experientes não estão imunes. Eles também podem ser vítimas do FOMO, especialmente em mercados de alta euforia ou ao lidar com novas tecnologias ou classes de ativos que não dominam completamente. A disciplina é uma prática contínua para todos.
Qual a diferença entre FOMO e uma oportunidade de investimento genuína?
A diferença fundamental reside no processo de tomada de decisão. Uma oportunidade genuína é aquela que sobrevive a uma análise fundamentalista rigorosa, se alinha ao seu plano de investimentos e ao seu perfil de risco. Uma decisão impulsionada pelo FOMO, por outro lado, é baseada em um sentimento de urgência, na pressão social e na movimentação recente do preço, muitas vezes ignorando ou atropelando a análise racional.
É possível lucrar com o FOMO?
Sim, é teoricamente possível, mas é uma estratégia de altíssimo risco que se assemelha mais à especulação ou a uma aposta do que a um investimento. Tentar “surfar a onda” do FOMO significa tentar prever o comportamento imprevisível da multidão. Isso é notoriamente difícil e, na maioria das vezes, termina com perdas significativas para aqueles que entram tarde e não conseguem sair antes que a bolha estoure.
Se eu identificar que estou com FOMO, qual o primeiro passo a tomar?
O primeiro e mais importante passo é: parar. Não execute nenhuma ordem de compra ou venda. Afaste-se da tela do computador ou do celular. Dê um passo para trás para criar um espaço mental entre o impulso emocional e a ação. Essa pausa é sua primeira e mais eficaz linha de defesa. Somente depois de se acalmar, consulte seu plano de investimentos e, se ainda achar válido, proceda com uma análise racional e objetiva do ativo em questão.


