Navegação Rápida
Entrar no mundo dos investimentos é apenas dar o primeiro passo em direção a fazer o seu dinheiro trabalhar por você. Mas, para navegar com confiança na bolsa de valores, não basta apenas comprar e vender ativos. É importante entender se suas escolhas estão, de fato, gerando os resultados esperados.
É aqui que entra o cálculo da rentabilidade, uma habilidade essencial para qualquer investidor que deseja ter o controle real sobre sua vida financeira.
Muitos encaram esse cálculo como um exercício matemático complexo e intimidador. No entanto, ele é simples, e aponta se sua estratégia de investimento está no caminho certo. Este guia completo foi criado para explicar o processo, desde a fórmula mais básica até as nuances de impostos, taxas e eventos corporativos.
Ao final, você terá o conhecimento necessário para avaliar o desempenho do seu portfólio com precisão e tomar suas próprias decisões.
O Que É Rentabilidade de Ações?
No universo dos investimentos, a rentabilidade é o indicador que mede o retorno percentual obtido sobre o capital que você investiu em um determinado período.
Em termos simples, ela responde à pergunta fundamental: “Quão eficiente foi o meu dinheiro?”. Se você investiu R$ 1.000 e, após um ano, seu montante se transformou em R$ 1.100, sua rentabilidade foi de 10%.
Essa medida em percentual é o que torna a rentabilidade uma ferramenta tão poderosa. Ela permite comparar o desempenho de diferentes investimentos de forma justa, independentemente do valor absoluto aplicado.
É através dela que você pode avaliar se uma ação superou a inflação, se rendeu mais que um título de renda fixa ou se está alinhada com suas metas financeiras.
Para evitar confusões comuns, é importante distinguir a rentabilidade de outros dois conceitos:
- Rentabilidade vs. Lucratividade: A lucratividade é o ganho financeiro em valor absoluto. No exemplo anterior, o lucro foi de R$ 100. A rentabilidade, por sua vez, é o ganho percentual (10%). Essa diferença é crucial porque um lucro alto em um investimento muito grande pode ter uma rentabilidade baixa, indicando menor eficiência do capital, enquanto um lucro pequeno em um investimento menor pode representar uma rentabilidade excelente.
- Rentabilidade vs. Liquidez: A liquidez mede a facilidade e a rapidez com que um ativo pode ser convertido em dinheiro sem uma perda significativa de valor. As ações geralmente possuem alta liquidez, mas essa é uma característica distinta do seu potencial de retorno.
Saber utilizar a rentabilidade transforma a maneira como investimos. Ao invés de focar apenas nas flutuações diárias de preço ou no lucro monetário, o investidor passa a avaliar a eficiência de suas alocações.
Essa mudança de perspectiva incentiva uma abordagem mais estratégica e menos emocional, fundamental para o sucesso a longo prazo na bolsa de valores.
Fórmula Geral da Rentabilidade de Ações
Para calcular a verdadeira rentabilidade de uma ação, não basta olhar apenas para a variação do seu preço. O retorno total de um investimento em ações é composto por duas fontes principais: o ganho de capital (a valorização do preço) e os proventos (a distribuição de lucros da empresa aos acionistas).
A fórmula mais básica, que considera apenas a valorização do papel, é:
Rentabilidade (%) = ((Preço Final / Preço Inicial) − 1) × 100
No entanto, essa fórmula é incompleta. Empresas lucrativas frequentemente compartilham parte de seus resultados com os acionistas por meio de dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JCP).
Os dividendos são parcelas do lucro já tributado da empresa, enquanto os JCP são contabilizados como uma despesa financeira antes do imposto de renda da companhia, o que gera uma vantagem fiscal para a empresa.
Para obter a rentabilidade total, é indispensável incluir esses proventos no cálculo. A fórmula completa, portanto, é:
Rentabilidade Total (%) = ((Preço Final - Preço Inicial + Proventos por Ação) / Preço Inicial) x 100
A adoção da Fórmula da Rentabilidade Total no nosso dia a dia de investidor, muda a forma como pensamos nos investimentos.
Ao incluir os proventos, passamos a nos interessar pela saúde financeira da empresa, sua capacidade de gerar lucro e sua política de distribuição de resultados, elementos centrais de uma estratégia de investimento focada em valor e qualidade no longo prazo.
Exemplo Prático de Cálculo de Rentabilidade
Vamos aplicar a fórmula completa a um cenário prático para consolidar o entendimento. Imagine a seguinte situação:
- Compra: Você adquire um lote de 100 ações da empresa “Meia Ficha S.A.” (ticker: MFSA3) ao preço de R$ 20,00 por ação.
- Investimento Inicial: 100 × R$20,00 = R$2.000,00.
- Período de Posse: Você mantém essas ações em sua carteira por exatamente um ano.
- Recebimento de Proventos: Ao longo desse ano, a MFSA3 anuncia e paga os seguintes proventos:
- Dividendos: R$ 1,00 por ação.
- Juros sobre Capital Próprio (JCP): R$ 0,50 por ação.
- Total de Proventos Recebidos: 100 × (R$1,00 + R$0,50) = 100 × R$1,50 = R$150,00.
- Venda: Ao final do ano, você decide vender todas as 100 ações, e o preço de mercado nesse momento é de R$ 23,00 por ação.
- Valor Final da Venda: 100 × R$23,00 = R$2.300,00.
Agora, vamos calcular a rentabilidade bruta desse investimento:
- Ganho de Capital: Valor Final da Venda – Investimento Inicial = R$ 2.300,00 – R$ 2.000,00 = R$ 300,00.
- Ganho Total (Lucro Bruto): Ganho de Capital + Total de Proventos = R$ 300,00 + R$ 150,00 = R$ 450,00.
- Rentabilidade Bruta (Total) (%): ((Preço Final – Preço Inicial + Proventos por Ação) / Preço Inicial) x 100 = ((2.300 – 2.000 + 150) / 2.000) x 100 = 22,50 %
Neste exemplo, a rentabilidade bruta do seu investimento foi de 22,5%. Este é o retorno antes de considerarmos quaisquer custos ou impostos, por isso, chamada agora de Rentabilidade Bruta ao invés de Rentabilidade Total, como no começo do artigo.
Rentabilidade Bruta x Rentabilidade Líquida
O percentual de 22,5% que calculamos é um ótimo indicador de desempenho, mas não representa o valor que de fato entrará no seu bolso. Para chegar a esse número, precisamos diferenciar a rentabilidade bruta da rentabilidade líquida.
Rentabilidade Bruta
A rentabilidade bruta é o retorno do investimento antes da dedução de quaisquer custos, taxas ou impostos. No nosso exemplo, são os 22,5%. Ela é útil para uma avaliação inicial e para comparar o desempenho fundamental de diferentes ativos, mas pode ser enganosa se usada como a medida final de sucesso.
Rentabilidade Líquida
A rentabilidade líquida é o que realmente importa: é o retorno que sobra após o desconto de todas as despesas e impostos. É essa a métrica que mostra o crescimento real do seu patrimônio. Os principais custos que afetam a rentabilidade são os custos operacionais, cobrados no momento da compra e da venda das ações.
A tendência de “corretagem zero” em muitas corretoras reduziu significativamente os custos para o investidor, mas é preciso ter atenção.
Essa gratuidade pode criar uma falsa sensação de que negociar é totalmente livre de custos, levando o investidor a ignorar as taxas da B3, que são inevitáveis. Em operações de baixo valor, essas taxas, embora pequenas, podem ter um impacto proporcionalmente maior sobre o retorno final.
Para total clareza, detalhamos os principais custos na tabela abaixo:
Custo | Descrição | Quem Cobra |
|---|---|---|
| Taxa de Corretagem | Valor cobrado pela corretora para intermediar a compra e venda de ativos. Pode ser um valor fixo por ordem ou um percentual sobre o volume. A maioria das corretoras já zeraram essa taxa. | Corretora |
| Taxas da B3 | Compostas por emolumentos (pela negociação) e taxa de liquidação (pela efetivação financeira da operação). Incidem como um pequeno percentual sobre o valor total da operação e são inevitáveis. | B3 |
| Taxa de Custódia | Taxa mensal cobrada para manter os ativos guardados em seu nome. Também é uma taxa cada vez mais rara. | B3 |
| ISS | Imposto Sobre Serviços, de competência municipal, que incide sobre o valor da taxa de corretagem. Se a corretagem for zero, o ISS também será. | Município |
Como Considerar o Imposto de Renda
Após os custos operacionais, o Imposto de Renda (IR) é a dedução mais significativa. A tributação em ações varia conforme o tipo de operação e a natureza do ganho.
- Tributação do Ganho de Capital: O lucro obtido com a valorização das ações é tributado de acordo com a modalidade da operação:
- Swing Trade: Operações de compra e venda realizadas em dias diferentes. A alíquota de IR é de 15% sobre o lucro líquido.
- Day Trade: Operações de compra e venda do mesmo ativo, no mesmo dia. A alíquota é mais alta, de 20% sobre o lucro.
- A Regra de Ouro da Isenção: Para operações de Swing Trade, há uma isenção de IR para vendas totais de ações em um mesmo mês calendário que não ultrapassem R$ 20.000. Atenção: o limite é sobre o valor da venda, não do lucro. Se você vender R$ 20.000,01, o imposto de 15% incidirá sobre todo o lucro apurado no mês. Essa isenção não se aplica a Day Trade, FIIs ou ETFs.
- Tributação dos Proventos:
- Dividendos: São isentos de Imposto de Renda para o investidor pessoa física, pois a empresa já pagou imposto sobre o lucro que os originou.
- Juros sobre Capital Próprio (JCP): São tributados em 15%, retidos diretamente na fonte. Você já recebe o valor líquido em sua conta da corretora.
Recalculando nosso exemplo para a Rentabilidade Líquida:
Vamos assumir que a venda de R$ 2.300,00 foi a única do mês (portanto, isenta de IR sobre o ganho de capital) e que os custos operacionais foram de R$ 5,00. Vamos considerar também, que consideramos o JCP bruto no exemplo acima e agora, o JCP líquido.
- Ganho de Capital: R$ 300,00 (Isento de IR).
- Dividendos: R$ 100,00 (Isentos de IR).
- JCP Bruto: R$ 50,00.
- IR sobre JCP (15% na fonte): R$ 50,00 x 0,15 = R$ 7,50.
- JCP Líquido: R$ 50,00 − R$7,50 = R$ 42,50.
- Lucro Bruto: R$ 450,00.
- Lucro Líquido (após IR e custos): R$ 450,00 − R$ 7,50 (IR do JCP) − R$ 5,00 (custos) = R$437,50.
- Rentabilidade Líquida (%): (R$ 437,50 / R$ 2.000,00) × 100 = 21,875%.
A rentabilidade líquida, que reflete o ganho real, foi de 21,875%.Importante: sempre verifique se a ferramenta que você utiliza para acompanhar suas ações, apresenta o JCP Líquido (IR já descontado) ou JCP Bruto (IR não descontado).
Rentabilidade Acumulada x Rentabilidade Anualizada
Ao analisar o desempenho de um investimento ao longo do tempo, duas métricas são fundamentais: a rentabilidade acumulada e a anualizada.
Rentabilidade Acumulada
A rentabilidade acumulada mede o retorno total de um investimento ao longo de todo o período em que ele foi mantido, da data da compra até a data da venda ou da análise. Ela responde à pergunta: “Quanto meu dinheiro rendeu no total?”.
A fórmula é a mesma da rentabilidade geral:
Rentabilidade Acumulada = ((Valor Final / Valor Inicial) − 1) × 100
Embora seja útil para saber o crescimento total do seu capital, essa métrica tem uma grande limitação: ela não considera o fator tempo. Um retorno acumulado de 30% em um ano é muito superior a um retorno de 30% em cinco anos, mas a rentabilidade acumulada será a mesma para ambos.
Rentabilidade Anualizada
A rentabilidade anualizada resolve a limitação da métrica acumulada. Ela converte o retorno total de um investimento, independentemente do prazo, em uma taxa de retorno anual equivalente.
Isso permite uma comparação justa e padronizada entre diferentes investimentos e com os principais benchmarks do mercado (como o CDI ou o Ibovespa). Ela responde à pergunta: “Se este investimento rendesse de forma constante, qual seria seu retorno por ano?”.
A fórmula para anualizar um retorno é:
Rentabilidade Anualizada = [((Valor Final / Valor Inicial) ^ (1/n)) - 1] x 100
Onde ‘n’ é o período do investimento em anos. Se o período for medido em dias, a fórmula se ajusta para:
Rentabilidade Anualizada = [((Valor Final / Valor Inicial) ^ (365/dias)) - 1] x 100
Onde ‘dias’ é a quantidade de dias os quais o capital permaneceu investido.
Rentabilidade Real (Descontando IPCA/Inflação)
A inflação representa a perda gradual do poder de compra da moeda ao longo do tempo. Segundo a Escola Austríaca de Economia, a maior parte dela (se não toda) é causada pela impressão desenfreada de moeda pelos governos.
Ou seja, R$ 1,00 hoje compra menos bens e serviços do que comprava há um ano ou dez anos. No Brasil, o índice oficial que mede a inflação ao consumidor é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O IPCA reflete a variação média dos preços de uma cesta de produtos e serviços consumida por famílias com rendimento entre 1 e 40 salários mínimos, abrangendo diversas áreas como alimentação, habitação, transportes e saúde.
Fórmula da Rentabilidade Real
A Rentabilidade Real é a medida que revela o verdadeiro desempenho de um investimento, pois desconta o efeito da inflação da rentabilidade nominal. Ele indica o quanto o poder de compra do investidor efetivamente aumentou (ou diminuiu) após considerar a perda de valor da moeda.
A expressão “IPCA + X%” é frequentemente utilizada no mercado, especialmente em comparação com investimentos de renda fixa atrelados à inflação, para indicar um retorno que superou a inflação em “X” pontos percentuais.
Façamos agora um exemplo, considerando uma rentabilidade nominal = 25%, para calcular a rentabilidade real:
- Rentabilidade Nominal (RN) = 25% (ou 0,25).
- IPCA Acumulado no mesmo ano (I) = 8% a.a. (ou 0,08 a.a.).
Aplicando a fórmula da rentabilidade real, temos:
Rentabilidade Real = ((1 + Rentabilidade Nominal) / (1 + I)) - 1
- Rentabilidade Real = ((1 + 0,25) / (1 + 0,08)) − 1
- Rentabilidade Real = (1,25/1,08) − 1
- Rentabilidade Real = 1,1574 − 1
- Rentabilidade Real = 0,1574 ou 15,74%
Embora a ação tenha apresentado uma rentabilidade nominal de 25%, o ganho real do poder de compra para o investidor foi de 15,74% (aproximado para fins didáticos).
Ferramentas e Planilhas para Facilitar o Cálculo
Manter o controle manual de todas as operações é impossível! Felizmente, existem diversas ferramentas que podem automatizar e simplificar esse processo:
- Planilhas (Excel/Google Sheets): Para o investidor que busca controle máximo e personalização, criar a própria planilha é a melhor opção. Nela, é possível registrar cada compra, venda, custo e provento recebido, garantindo precisão total para o cálculo da rentabilidade e para a declaração de Imposto de Renda. Basta utilizar as fórmulas ensinadas nesse artigo, de forma muito simples.
- Plataformas das Corretoras: A maioria das corretoras modernas oferece extratos detalhados e dashboards de desempenho que já calculam a rentabilidade da carteira. É fundamental, no entanto, entender como esse cálculo é feito para poder conferir os dados e utilizá-los corretamente para fins fiscais. Lembrando que se você mudou de corretora em algum momento, o preço médio do ativo, com certeza estará errado e portanto, a rentabilidade calculada, também!
- Ferramentas de Terceiros: Existem plataformas e aplicativos especializados que se conectam às suas corretoras para consolidar todas as informações, automatizar o cálculo da rentabilidade e até mesmo gerar o DARF. Esse artigo não é patrocinado, mas eu indico (e uso) o Investidor10.
Comparando Rentabilidade com Outros Ativos
Após calcular a rentabilidade de suas ações, é essencial contextualizá-la. Saber se um retorno de 20% ao ano é bom depende do risco assumido e das alternativas disponíveis no mercado. O importante é sempre comparar “laranja” com “laranja” e “banana” com “banana”:
- Ações: Oferecem o maior potencial de retorno no longo prazo, mas vêm acompanhadas da maior volatilidade e risco. São mais adequadas para investidores com tolerância ao risco e objetivos de longo prazo.
- Fundos Imobiliários (FIIs): Representam um meio-termo. Combinam o potencial de valorização da cota (similar às ações) com a distribuição de rendimentos mensais (semelhante a aluguéis), geralmente com volatilidade menor que a de ações individuais. São uma ótima opção para quem busca diversificação e geração de renda passiva.
- Renda Fixa (CDBs, Tesouro Direto): Caracterizam-se pelo menor risco e maior previsibilidade de retorno. O Tesouro Direto, por ser garantido pelo Governo Federal, é considerado o investimento mais seguro do país. São ideais para perfis conservadores, formação de reserva de emergência e preservação de capital.
No entanto, não podemos comparar a rentabilidade das ações com CDI, ou IPCA, pois são ativos com riscos diferentes. No mercado, o benchmark mais tradicional para comparar a rentabilidade das ações é o IBOV.
Eu particularmente, não o utilizo, pois na minha visão o IBOV é simplesmente o conglomerado das ações mais negociadas na bolsa e sua variação não diz muito muito sobre a qualidade dos ativos.
Para medir a rentabilidade dos FIIs, o benchmark de mercado é o IFIX. Na minha visão, padece dos mesmos defeitos do IBOV, porém para fundos imobiliários.
Investimentos em Renda Fixa, sim, podem ser comparados tranquilamente ao CDI e ao IPCA.
Se você criou uma estratégia de investimento, que por exemplo, deveria render 15% a.a., compare a sua rentabilidade com o número planejado por você. Afinal, somente você saberá qual a tese de investimento adotada.
Dicas Avançadas para Medir a Rentabilidade de Forma Eficiente
Para um controle ainda mais preciso, investidores devem estar atentos a eventos corporativos que alteram a quantidade de ações em carteira e, consequentemente, o preço médio de aquisição — um dado vital para o cálculo do lucro e do imposto de renda. Alguns eventos corporativos que afetam ambos, são:
- Bonificação: Ocorre quando a empresa distribui novas ações “gratuitamente” aos acionistas. Essas ações, no entanto, possuem um custo de aquisição informado pela empresa, que deve ser usado para recalcular o preço médio de toda a sua posição no ativo.
- Desdobramento (Split): A empresa aumenta o número de ações em circulação, reduzindo o preço na mesma proporção. O valor total do seu investimento não muda, mas o preço médio por ação deve ser ajustado. Por exemplo, em um desdobramento de 1 para 2, basta dividir seu preço médio antigo por 2.
- Grupamento (Inplit ou Reverse Split): É o oposto do desdobramento. A empresa diminui o número de ações, aumentando o preço proporcionalmente. Seu preço médio deve ser multiplicado pelo fator de grupamento.
Importante frisar que esses eventos não são apenas ajustes contábeis, eles carregam sinais da gestão:
- Um split geralmente ocorre após uma forte valorização, indicando otimismo e o desejo de atrair mais investidores. Geralmente é praticado para que a liquidez das negociações da ação continue igual ou aumente.
- Uma bonificação sinaliza a intenção de recompensar acionistas retendo caixa para reinvestimento.
- Já um grupamento pode ser uma medida defensiva para adequar o preço da ação às regras da bolsa (nenhuma ação pode custar menos de R$ 1,00).
Entender o “porquê” por trás desses eventos oferece uma camada mais profunda de análise.
Por fim, a dica mais importante: guarde e organize todas as notas de corretagem e os avisos de pagamento de proventos. Esses documentos são a fonte oficial de informação para todos os seus cálculos e são indispensáveis para a correta declaração anual de Imposto de Renda.
Conclusão
Calcular a rentabilidade de ações é muito mais do que aplicar uma fórmula. É um processo que envolve compreender a origem dos ganhos, deduzir custos e impostos, e ajustar-se a eventos que impactam sua posição. Dominar esse cálculo é o que separa um participante passivo do mercado de um investidor consciente e no controle de seu destino financeiro.
O verdadeiro retorno de um investimento só se revela quando olhamos além da simples variação de preço e incorporamos os proventos, os custos operacionais e os impostos. A rentabilidade líquida é a medida real do seu sucesso.
Por isso, o Meia Ficha adota a estratégia de Investimento em Valor (Value Investing) a longo prazo, pois somente teremos rentabilidade alta, se formos sócios de boas empresas, pagadoras de dividendos e com dívidas baixas.
Encorajamos você a aplicar os conceitos deste guia ao seu próprio portfólio, por menor que ele seja. A disciplina de acompanhar, calcular e analisar seus resultados é o alicerce sobre o qual se constrói um patrimônio sólido e uma jornada de investimentos bem-sucedida.
Não invista nenhum centavo sequer, se não estiver com o tripé bem ajustado: Situação Financeira + Conhecimento + Objetivo. Sem esse tripé, você estará apenas fazendo a transferência da sua renda, para as mãos de pessoas mais astutas.
Agora me conta: está gostando dos nossos artigos? Se sim, nos dê uma chance no YouTube também! O botão está abaixo.
Forte abraço, Arlei Oliveira

Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual a diferença entre rentabilidade e lucratividade?
Rentabilidade é o retorno percentual sobre o valor investido (ex: 10%), enquanto lucratividade é o ganho em valor monetário absoluto (ex: R$ 100). A rentabilidade permite comparar a eficiência de diferentes investimentos.
A rentabilidade passada de uma ação garante o retorno futuro?
Não. A rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros. O desempenho de uma ação depende de inúmeros fatores de mercado, econômicos e da própria empresa, que estão em constante mudança.
Como a inflação afeta minha rentabilidade real?
A inflação corrói o poder de compra do seu dinheiro. A rentabilidade real desconta o efeito da inflação da sua rentabilidade nominal (a que o investimento pagou). Se seu investimento rendeu 10% e a inflação foi de 6%, seu ganho real de poder de compra foi de aproximadamente 3,77%. Conforme fórmula no artigo.
Preciso pagar imposto de renda se vender menos de R$ 20.000 em ações no mês?
Depende. Para operações de swing trade (venda em dia diferente da compra), se o total de vendas de ações no mês for igual ou inferior a R$ 20.000, o lucro é isento de IR. Para operações de day trade, não há isenção; todo lucro é tributado.
Investir em ações é muito arriscado?
Sem conhecimento, sim! Ações são um investimento de renda variável e envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda de capital. A volatilidade é uma característica do mercado. No entanto, o risco pode ser gerenciado através do conhecimento, da diversificação da carteira e de um foco no longo prazo, onde historicamente as ações têm apresentado grande potencial de retorno.






