Home / Mercado Financeiro / Investimento em Valor: Guia Completo Para Iniciantes (2025)

Investimento em Valor: Guia Completo Para Iniciantes (2025)

Navegação Rápida

Quer dominar o Investimento em Valor? Neste guia 2025 para iniciantes, você aprende os princípios, como encontrar ações baratas e a montar sua carteira. Acesse!

Introdução ao Investimento em Valor e o Medo de Investir

Você já olhou para o seu dinheiro na poupança e sentiu que ele poderia estar fazendo mais por você? Que cada dia que passa, a inflação come um pedacinho do seu poder de compra? Provavelmente sim.

Mas aí, a simples menção de “investir em ações” traz um frio na espinha, imagens de gráficos piscando em vermelho e o medo paralisante de perder tudo o que você lutou tanto para guardar. Esse medo talvez, seja porque você ainda não saiba o que é uma ação.

Se essa é a sua realidade, saiba que você não está sozinho. Esse receio é a principal barreira que impede milhões de brasileiros, pessoas como você, com uma vida financeira já estabilizada ou ainda não, de dar o próximo passo na construção de um patrimônio sólido.

Mas e se eu te dissesse que esse medo, na verdade, pode ser o seu maior superpoder? E se existisse um método de investimento que não se parece com um cassino, mas sim com a mentalidade de um dono de negócio prudente e cauteloso?

Uma filosofia que não só protege seu capital, mas que foi criada justamente para prosperar em meio ao pânico do mercado, transformando a volatilidade em oportunidade.

Este artigo é o seu mapa para esse tesouro. Ao ler até o final, você não apenas vai entender a estratégia exata que transformou pessoas comuns em bilionários, como por exemplo o lendário Warren Buffett, mas também terá um guia prático, um passo a passo detalhado para encontrar “pechinchas” na bolsa de valores brasileira, baseado na filosofia de investimento em valor.

Você vai descobrir como usar o seu medo natural a seu favor, transformando-o em uma disciplina que o protegerá de erros caros. Esqueça a ideia de que a bolsa é um bicho de sete cabeças.

Hoje, você vai receber a chave para destravar o verdadeiro potencial do seu dinheiro através do Investimento em Valor.

A Filosofia do Investimento em Valor – Máquina de Bilionários

Para entender a teoria do Investimento em Valor, precisamos voltar no tempo, para a época da Grande Depressão de 1929 nos Estados Unidos.

Foi nesse cenário de caos e pânico que um jovem professor da Columbia Business School, chamado Benjamin Graham, viu sua fortuna evaporar. Mas, em vez de sucumbir ao medo, ele usou a experiência para criar um método racional e à prova de pânico para investir.

Ele documentou essa filosofia em dois livros que se tornaram a bíblia do mercado: “Security Analysis” e, o mais famoso, “O Investidor Inteligente”. Graham não queria apenas recuperar seu dinheiro, ele queria criar um sistema para que ninguém mais precisasse ser vítima das emoções do mercado. E foi exatamente isso que ele fez.

A Grande Ideia que Muda Tudo: Preço é o que Você Paga, Valor é o que Você Leva

A base do pensamento de Graham, e de todo o conceito de Investimento em Valor, reside em uma distinção crucial: a diferença entre preço e valor.

Imagine que você vai comprar um carro usado. O preço anunciado é de R$ 30.000. Esse é o preço. Mas o que determina o valor real daquele carro? São as perguntas que você faz antes de decidir a compra:

  • O motor está bom?
  • A lataria tem ferrugem?
  • O histórico de manutenção está em dia?

O valor real pode ser R$ 35.000, se o carro estiver impecável, ou apenas R$ 20.000, se estiver cheio de problemas.

No mercado de ações, a lógica é a mesma. O preço de uma ação, a cotação que você vê piscando na tela, é o que o mercado, movido por um misto de euforia, pânico e notícias do dia, está disposto a pagar por ela naquele momento.

Já o valor intrínseco é o que a empresa realmente vale como um negócio: sua capacidade de gerar lucros, a força da sua marca, a qualidade da sua gestão, seu patrimônio. O investidor de valor é como um detetive que ignora o barulho da feira (o mercado) e foca em calcular o verdadeiro valor do produto (a empresa).

Os 5 Pilares Fundamentais do Investimento em Valor

Essa filosofia se sustenta em cinco princípios simples, mas poderosos. Compreendê-los é o primeiro passo para transformar seu medo em confiança.

1. Análise Fundamentalista: O Trabalho de Detetive

Antes de se tornar sócio de qualquer negócio, você precisa investigá-lo. A análise fundamentalista é exatamente isso: um mergulho profundo na “saúde” da empresa.

Você vai olhar seus resultados financeiros (ela dá lucro?), seu nível de endividamento (ela deve muito?), suas vantagens competitivas (ela tem algo que os concorrentes não têm?) e suas perspectivas de crescimento. É o equivalente a olhar o motor do carro antes de comprá-lo.

Felizmente, hoje em dia, você não precisa ser um contador para fazer isso. Existem ferramentas que organizam todas essas informações para você, como veremos na próxima seção.

2. Valor Intrínseco: Descobrindo o Preço Justo

Com base nessa análise, o investidor calcula o valor justo da empresa, ou seu “valor intrínseco”. Existem vários métodos para isso, desde os mais complexos, como a análise de fluxo de caixa descontado, até fórmulas mais simples, como a que aprenderemos adiante.

O objetivo é transformar o investimento de um “chute” em uma decisão baseada em dados, dando a você uma âncora racional para suas decisões.

Para esse artigo, utilizaremos o método de Benjamin Graham, mas aqui no site já expliquei também como calcular o preço teto de uma ação com o método de Décio Bazin e de Luiz Barsi.

3. Margem de Segurança: O Cinto de Segurança do Investidor

Este é, talvez, o pilar mais importante para quem tem medo de investir. A estratégia do Investimento em Valor não é apenas comprar boas empresas, mas comprá-las com um grande desconto em relação ao seu valor intrínseco.

Essa diferença entre o valor real e o preço que você paga é a sua “margem de segurança”. Warren Buffett, o discípulo mais famoso de Graham, explica isso com uma analogia perfeita:

“Ao construir uma ponte, insiste-se que ela seja capaz de suportar 30.000 quilos, mas só é permitida a passagem de caminhões de 10.000 quilos por ela. O mesmo princípio se aplica no mundo dos investimentos.”

Essa margem de segurança é sua proteção contra erros de cálculo, imprevistos econômicos ou uma crise inesperada. Se você calculou que uma ação vale R$ 20 e a compra por R$ 12, você tem uma “gordura para queimar” muito maior do que quem a compra por R$ 19.

É aqui que o seu medo se torna uma vantagem: sua cautela natural fará com que você exija essa margem de segurança, protegendo seu patrimônio.

4. Investimento de Longo Prazo: O Poder da Paciência

O investidor de valor não está interessado nas flutuações diárias do mercado. O foco é o longo prazo. Fiz até uma análise sobre essa questão, usando o Banco do Brasil como exemplo, pois de tempos em tempos, ele sofre duras quedas nas suas cotações perpetradas pelo mercado.

Mas retomando, a ideia é que, com o tempo, o mercado inevitavelmente reconhecerá o verdadeiro valor da empresa e o preço da ação se ajustará para cima. É como plantar uma semente de uma árvore frutífera.

Você não fica desenterrando-a todo dia para ver se está crescendo. Você rega, cuida e espera pacientemente pelos frutos. Ao se tornar sócio de uma empresa, você está apostando no crescimento e nos lucros dela ao longo de anos, não de dias.

5. Paciência e Disciplina: Seu Superpoder Contra o Pânico

O mercado é maníaco-depressivo. Em um dia, está eufórico; no outro, em pânico. O investidor de valor usa essa volatilidade a seu favor. Ele ignora o “barulho” e se mantém focado nos fundamentos.

Quando todos estão vendendo em pânico (fazendo os preços caírem), ele está calmamente procurando por pechinchas, por empresas excelentes que ficaram baratas. Quando todos estão comprando em euforia (inflando os preços), ele tem a disciplina de não seguir a manada e, talvez, até vender algumas posições que se tornaram caras demais.

Investimento em Valor Funciona no Brasil? Conheça Luiz Barsi

Para que não reste dúvidas de que essa estratégia é apenas para bilionários americanos, é fundamental conhecer a história de Luiz Barsi Filho.

Frequentemente chamado de “Warren Buffett brasileiro”, Barsi, de origem humilde, começou a vida como engraxate e, aplicando rigorosamente a filosofia de investimento em valor com foco em empresas que pagam bons dividendos, construiu um patrimônio bilionário exclusivamente na bolsa brasileira.

Ele prova que, com estudo, disciplina e paciência, é perfeitamente possível usar essa metodologia para construir riqueza no nosso país. Sua preferência por setores perenes, como bancos e energia, mostra a aplicação prática de investir em negócios sólidos e previsíveis para o longo prazo.

Tutorial de Como Encontrar Ações Baratas na Bolsa de Valores – Baseado na Filosofia do Investimento em Valor

Agora que a filosofia está clara, vamos ao que interessa: como transformar essa teoria em ação? 

Você vai perceber que, com as ferramentas certas, o processo é muito mais simples e lógico do que parece. Este é o seu guia prático para começar sua jornada como um investidor de valor.

Passo 1: A Preparação – Abrindo as Portas para o Mercado

Antes de mais nada, você precisa de um “veículo” para acessar a bolsa de valores. Esse veículo é uma conta em uma corretora de valores. Esqueça a imagem de homens gritando ao telefone.

Hoje, abrir uma conta em uma corretora é um processo 100% online, gratuito e tão simples quanto abrir uma conta em um banco digital. Instituições como XP, BTG Pactual, Clear, e até mesmo a corretora do Banco onde você já possui conta, são autorizadas e fiscalizadas pelo Banco Central e pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o que garante a segurança do processo.

A escolha da corretora é muito importante, mas na minha experiência de quase uma década, eu escolheria a corretora associada ao próprio banco ao qual você já possui conta aberta.

Isso facilita bastante, pois tudo ocorre em uma única conta corrente (tanto os dividendos recebidos, quanto os valores investidos nos ativos).

Passo 2: A Caça ao Tesouro – Onde Encontrar Boas Empresas

Com mais de 400 empresas listadas na bolsa brasileira, por onde começar?

A dica de ouro de Warren Buffett é: comece pelo seu “círculo de competência”. Invista em empresas que você já conhece e entende o modelo de negócio. Pense nos serviços que você usa todos os dias: o banco onde você tem conta (Itaú, Bradesco), a companhia de energia que ilumina sua casa (Cemig, Copel), a empresa de saneamento da sua cidade (Sabesp, Sanepar).

Geralmente, empresas de setores perenes, que fornecem serviços essenciais, são um ótimo ponto de partida, pois seus resultados tendem a ser mais estáveis e previsíveis. E é disso que um investidor iniciante precisa. Começar sem muitas emoções.

Para encontrar os dados dessas empresas, você não precisa de assinaturas caras. Existem plataformas gratuitas fantásticas que são como o “Google” do investidor. Utilizarei uma que gosto bastante aqui nesse tutorial, mas existem outras:

  • Fundamentus: Um site simples e direto, focado nos principais indicadores fundamentalistas das ações brasileiras.

Guarde esse site nos seus favoritos, junto com o Meia Ficha, e visite-os todos os dias.

Passo 3: Utilizando Ferramentas Gratuitas Para Nos Ajudar

A primeira coisa a ser feita, é entrar no site do Fundamentus.

Investimento em Valor - Tutorial - Passo 1
Investimento em Valor – Tutorial – Passo 1

Após entrar no site do Fundamentus, você possui 2 opções. A primeira é digitar o nome da empresa no campo de busca, para ver os dados da empresa desejada. A segunda é clicar ali onde está a seta vermelha (imagem acima) com o rótulo “empresa”. Após clicar em “empresa” clique no botão “exibir”. Com esse botão você terá acesso a todas as empresas listadas na bolsa de valores.

A seguinte tela será exibida para você.

Investimento em Valor - Tutorial - Passo 2
Investimento em Valor – Tutorial – Passo 2

Conforme apresentado na imagem anterior, preencha os valores do campo P/L com o valor 1 para mínimo e 7 para máximo.  Após isso clique em “buscar”.

Esses valores escolhidos para o campo P/L não são por coincidência, existe quase uma década de estudo da minha parte para entender os indicadores e utilizá-los da maneira correta.

Primeiro me deixe fazer uma introdução ao que significa o indicador P/L:

  • P/L (Preço/Lucro): Indica quantos anos de lucro da empresa seriam necessários para pagar o preço atual da ação. De forma simples, quanto menor o P/L, mais “barata” a ação está em relação aos seus lucros. Um P/L abaixo de 15, como sugeria Graham, é um bom ponto de partida. 

Quando escolhemos empresas que estão com o P/L entre 1 e 7, estamos buscando por empresas que talvez estejam mal avaliadas pelo mercado, por conta de alguma notícia ou evento momentâneo. Isso pode nos mostrar as barganhas ou as empresas baratas da bolsa, aquelas que ninguém quer.

Além disso, um P/L entre 1 e 7 nos permite imaginar o retorno sobre esse investimento em um prazo de até 7 anos, baseado no lucro que a empresa gera no momento. Nada é garantido no futuro, mas aqui seria um bom começo.

Com certeza outros valores poderiam ser utilizados como um filtro inicial, mas acredito que para você que está iniciando agora, esse seria um valor mais adequado.

A seguinte tela será aberta:

Investimento em Valor - Tutorial - Passo 3
Investimento em Valor – Tutorial – Passo 3

Agora mostrarei como penso quando estou fazendo uma análise fundamentalista buscando por novas oportunidades de aporte. A primeira coisa que faço é aplicar alguns filtros usando outros indicadores, apresentados abaixo. Esses indicadores me auxiliam a separar as empresas, para uma análise aprofundada posterior.

Com a lista ordenada de forma crescente pelo indicador P/L, percorro a tela de cima para baixo observando o campo dividend yield. Eu sempre observo esse indicador pois na filosofia de investimentos do Meia Ficha, buscamos por empresas consolidadas e que distribuem generosos dividendos. Se você não sabe ainda o que significa dividend yield, mostrarei agora:

  • Dividend Yield (DY): Mostra o percentual de dividendos (parte do lucro distribuído aos acionistas) que a empresa pagou nos últimos 12 meses em relação ao preço da ação. Um DY acima de 6% ao ano, por exemplo, indica que a empresa é uma boa pagadora de dividendos para seus sócios.

Pelas características atuais da economia brasileira, gosto de escolher empresas que possuem no mínimo 8% de dividend yield nos últimos 12 meses.

Outros campos também são observados em conjunto, como por exemplo, dívida bruta/patrimônio líquido, o qual não costumo analisar empresas (com raríssimas exceções) que estejam com esse indicador acima de 2,5 ou 3.

Também observo o campo de crescimento nos últimos cinco anos, sempre considerando empresas que tenham crescido no mínimo, acima da inflação do período, pois isso garante que a empresa corrija a inflação e ainda assim traga retorno maior para o investidor.

Outro indicador importantíssimo, é o P/VPA:

  • P/VPA (Preço/Valor Patrimonial por Ação): Compara o preço da ação com o valor do patrimônio líquido da empresa por ação. Se o P/VPA for menor que 1, significa que você está, teoricamente, comprando a empresa por menos do que ela vale em ativos. Um P/VPA abaixo de 1.5 é um bom sinal.

E por final, observo o ROE

  • ROE (Return on Equity / Retorno sobre o Patrimônio Líquido): Mede a capacidade da empresa de gerar lucro com o dinheiro que os acionistas investiram nela. Um ROE consistentemente acima de 15% mostra que a gestão é eficiente e rentável.

Todas as empresas que possuem um X na frente na figura anterior, falharam em algum desses critérios. Sendo assim, a primeira empresa que passou por todos os critérios de seleção dos nossos filtros de indicadores e que aparenta estar barata é o Banco do Brasil.

Principais indicadores do Banco do Brasil (BBAS3) que indicam que ela pode estar barata:

  1. P/L de 3,66: indica que podemos ter o nosso valor investido no formato de lucros por ação em 3,66 anos, o que é muito atrativo.
  2. P/VP de 0,70: indica que estamos pagando R$ 1,00 para cada R$ 0,70 de patrimônio que o banco possui.
  3. Dividend Yield de 11,29%: indica que a empresa pagou nos últimos 12 meses, pelo menos R$ 2,00 de dividendos para os R$ 21,00 de cotação atual (valores arredondados propositalmente).
  4. Crescimento nos últimos 5 anos de 15,53%.
  5. ROE de 19,05%: para cada R$ 100,00 são retornados quase R$ 20,00 para o acionista.

Mas e a dívida? Bancos não mensuram sua dívida da forma como expliquei anteriormente, portanto, não entrarei nos detalhes agora.

Passo 3: Calculando o Preço Justo de Benjamin Graham

Agora, clique no nome do Banco Brasil (ou a ação que você está avaliando), que aparecerá a seguinte tela com os dados detalhados.

Investimento em Valor - Tutorial - Passo 4
Investimento em Valor – Tutorial – Passo 4

Para a fórmula do Benjamin Graham, utilizaremos os dados VPA e LPA.

Com esses dados em mãos, podemos usar uma fórmula simplificada, criada por Benjamin Graham, para estimar o valor intrínseco de uma ação e, consequentemente, nossa margem de segurança. A fórmula é a seguinte:

Fórmula de Benjamin Graham: Valor Intrínseco = √(22,5×LPA×VPA)​

Onde:

  • LPA é o Lucro Por Ação.
  • VPA é o Valor Patrimonial Por Ação.
  • 22,5 é uma constante que Graham usava, representando o produto de um P/L máximo de 15 e um P/VPA máximo de 1,5 (15×1,5=22,5).

Para o Banco do Brasil, que foi a ação que filtramos, ficaria:

Valor Intrínseco Banco do Brasil (BBAS3) = √(22,5 * 5,81 * 30,47) = √3.983,19 = R$ 63,11

Usando a fórmula de Graham, chegamos ao Preço Justo do Banco do Brasil, sendo R$ 63,11, enquanto a sua cotação está na casa dos R$ 21,00. Isso daria uma margem de segurança de ~66,00%.

Tudo indica (numericamente) que a ação está realmente barata pelos critérios exclusivos de Graham, mas adianto que a vida real não é tão simples assim, e decisões de investimentos devem ser realizadas com muita cautela.

O ideal agora, é você acessar o RI do Banco do Brasil, ou da empresa que você achou mais adequada nos filtros, e debruçar sobre os dados. Se fosse simples, como mostrei aqui, qualquer um poderia fazer isso e ficar rico, concorda?

Você precisa estudar a empresa e chegar na sua conclusão própria, se ela realmente está barata, ou se possui algum risco que não foi mapeado por você, mas foi mapeado pelo mercado.

Compare as ações com os pares do mesmo setor. Olhe os números no balanço, as linhas de negócio, os lucros envolvidos em cada parte da operação. Imagine se esses produtos estarão na empresa daqui 20 anos, e se ainda serão lucrativos. Só após toda essa análise criteriosa, tome a decisão de compra, bem informado.

Aprendi o que é Investimento em Valor e Agora?

Não substime esse artigo, você provavelmente aprendeu o que é mais importante ao investir em ações, baseado na filosofia de investimento em valor. Afinal, queremos comprar empresas com boa capacidade de geração de lucro futuro, com preço baixo, alta margem de segurança, e foi isso que esse artigo te ensinou.

Lembre-se que investir em ações, demanda muito estudo e dedicação. Estou trabalhando aqui para te passar os fundamentos necessários, mas você não deve simplesmente sair arriscando todo seu dinheiro, sem antes estar bem embasado.

Você aprendeu nesse artigo que o Investimento em Valor não é sobre adivinhação ou sorte e sim sobre análise, paciência e a arte de comprar negócios incríveis com um belo desconto. Não se iluda, o conceito é simples, mas é extremamente difícil de ser replicado.

Sua jornada para a tranquilidade financeira deu um passo gigantesco hoje, mas ela não termina aqui.

Agora que você sabe como escolher uma empresa com base em seus fundamentos, existe um detalhe crucial que protege o pequeno investidor (chamado de minoritário), um direito fundamental chamado Tag Along. Você deve aprender a identificar se as empresas escolhidas por você possuem Tag Along ou não. Fuja das que não possuem!

Está gostando dos nossos aritgos? Aproveite e se inscreva no nosso canal do YouTube! Clique no botão logo abaixo e junte-se à nossa comunidade de investidores inteligentes. Estamos te esperando!

Forte abraço, Arlei Oliveira.

Canal do MeiaFicha no Youtube

FAQ – Principais Dúvidas do Investidor Iniciante

O que são ações?

Ações representam uma pequena fração do capital social de uma empresa. Ao comprar uma ação, o investidor se torna sócio da companhia, adquirindo direitos e deveres proporcionais à sua participação. O principal objetivo de quem investe em ações é obter lucro com a valorização desses papéis ao longo do tempo ou através do recebimento de proventos, como os dividendos.

Como começar a investir em ações?

O primeiro passo é abrir uma conta em uma corretora de valores, que é a instituição financeira autorizada a intermediar a compra e venda de ações na bolsa de valores. Após a abertura da conta, que geralmente é um processo online e gratuito, o investidor precisa transferir recursos para essa conta para então começar a operar através do Home Broker (a plataforma de negociação da corretora).

Quanto dinheiro preciso para começar a investir em ações?

Não existe um valor mínimo para começar a investir em ações. Atualmente, é possível comprar ações no mercado fracionário, onde se pode adquirir de 1 a 99 papéis, tornando o investimento inicial bastante acessível. Com poucas dezenas de reais já é possível iniciar uma carteira de investimentos. Lembre-se sempre de fazer a avaliação do seu Perfil de Investidor antes de começar a aportar em renda variável.

Como escolher as ações para comprar?

A escolha de ações deve ser baseada em estudo e análise. Existem duas principais abordagens: a análise fundamentalista, que avalia a saúde financeira da empresa, seus fundamentos, gestão e perspectivas de crescimento a longo prazo; e a análise técnica, que se baseia em gráficos e no comportamento dos preços das ações para identificar tendências de curto e médio prazo. Para iniciantes, focar em empresas sólidas, com bom histórico de resultados e de setores perenes, costuma ser uma estratégia mais segura. Aqui no Meia Ficha, pregamos o investimento em ações consolidadas e boas pagadoras de dividendos, as quais você pode calcular o valor justo a ser pago (preço teto), por meio do Método Bazin ou pelo método de Benjamin Graham descrito nesse artigo.

Por que preciso de uma corretora de valores e como escolher a melhor?

A corretora de valores é a ponte entre o investidor e a bolsa de valores. Para escolher a melhor corretora, o iniciante deve levar em consideração fatores como: taxas de corretagem (o custo por cada operação de compra e venda), a qualidade e estabilidade da plataforma de negociação (Home Broker), a variedade de produtos oferecidos e a qualidade do atendimento e do material educativo disponibilizado. A recomendação do Meia Ficha, é sempre otimizar os recursos, ou seja, se você já possui conta em um bancão, mantenha-se na própria corretora do bancão, pois costumam utilizar a mesma conta corrente, o que facilita muito no dia a dia de operação.

Quais são os riscos de investir em ações?

O principais riscos do investimento em ações são o de mercado e de liquidez. O risco de mercado é a possibilidade de as cotações dos papéis caírem e o investidor perder parte do capital investido (se precisar vender). Essa variação de preços (volatilidade) é influenciada por diversos fatores, como a situação econômica do país e do mundo, o desempenho do setor da empresa e notícias específicas sobre a companhia. O risco de liquidez é não encontrar compradores para as ações caso você precise vender com urgência. Isso ocorre geralmente com ações com pouca negociação na B3. Fique muito atento ao risco de liquidez.

Preciso declarar o investimento em ações no Imposto de Renda?

Sim, todo investimento em ações, independentemente do valor, precisa ser declarado na Declaração Anual do Imposto de Renda. Além disso, lucros obtidos com a venda de ações acima de um determinado limite mensal (R$ 20.000,00 atualmente) devem ter o imposto (conhecido como DARF) pago até o último dia útil do mês seguinte à venda. É fundamental que o investidor mantenha um controle detalhado de suas operações para facilitar a declaração e o pagamento dos impostos devidos. A declaração das ações, deve ocorrer na Guia – Bens e Direitos do IR. Além disso, também deverá ser declarado o valor recebido por meio de dividendos, JCP e bonificações, e outras remunerações declaráveis.

O que são dividendos?

Dividendos são uma parte do lucro de uma empresa que é distribuída aos seus acionistas. A frequência e o valor dos dividendos variam de acordo com a política de cada companhia. Para investidores que buscam uma fonte de renda passiva, empresas boas pagadoras de dividendos podem ser uma excelente opção de investimento. No Brasil, os dividendos são isentos de IR, o que torna o investimento em ações muito atratativo.

O que significa diversificar a carteira de investimentos?

Diversificar a carteira significa não colocar todos os seus recursos em um único tipo de ativo ou em ações de uma única empresa. Ao distribuir o dinheiro em diferentes ações, de setores variados, e até mesmo em outras classes de ativos (como renda fixa), o investidor consegue mitigar os riscos (isso é o que prega a teoria geral).

Investimento em valor é para curto ou no longo prazo?

Isso dependerá preincipalmente dos seus objetivos. Mas de forma geral, para investidores iniciantes, a estratégia mais recomendada é o foco no longo prazo. O mercado de ações pode ser muito volátil no curto prazo, e tentar prever seus movimentos é muito arriscado. Ao investir em empresas sólidas com a perspectiva de crescimento ao longo dos anos, o investidor tende a se beneficiar da valorização dos ativos e do efeito dos juros compostos, construindo um patrimônio de forma mais consistente e segura. Se você pretende usar o dinheiro em curto prazo, o mais recomendado é alocar esse montante em bons ativos de renda fixa com liquidez diária (como por exemplo, Tesouro Selic).

Marcado: