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O que são Ações Ordinárias, Preferenciais e Units? Descubra qual delas comprar

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No Brasil temos 3 tipos de ações: Ações Ordinárias, Preferenciais e Units. Isso confunde demais os investidores iniciantes, pois existe a dificuldade de entendimento sobre qual tipo de ação comprar.

Lembro da primeira vez que abri o home broker e olhei para Santander: SANB3, SANB4, SANB11. Fiquei paralizado e tive que buscar no Google o que significava aquele 3, 4 e 11 no final do ticker. Você já passou por isso?

Sendo assim, a escolha do tipo de ação – seja Ordinária (ON), Preferencial (PN) ou uma Unit – e o entendimento sobre o nível de listagem da empresa na B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), como Nível 1, Nível 2 ou Novo Mercado, são fundamentais para que você não compre “gato por lebre”!

Em uma explicação rápida e simples, o tipo da ação escolhida impacta diretamente sobre os direitos que você terá como acionista, como por exemplo: poder de voto, prioridade no recebimento de dividendos, proteção em caso de venda do controle da empresa (tag along), os riscos associados e, consequentemente, o potencial de retorno do investimento.

Vejamos então quais os tipos de ações disponíveis no Brasil, suas características e como escolher a correta de acordo com os seus objetivos.

Vamos começar pelas ações ordinárias.

O que são Ações Ordinárias (ON)?

Como dividir o capital social de uma empresa, de tal forma que pessoas comuns possam participar desses empreendimentos? Foi assim que surgiram as ações, e essas representam a menor fração divisível do capital da companhia.

Quando partimos para a especialização das ações, as ações do tipo ordinárias (ON) concedem ao seu titular o direito a voto nas assembléias gerais da companhia, além do direito de recebimento dos proventos gerados.

Essas são as ações que os controladores da companhia possuem. Portanto, comprar uma ação ON te coloca com os mesmos direitos dos controladores. E por regra, podemos identificar as ações dos controladores observando o ticker (código da ação).

O ticker de uma ação ordinária na B3 sempre termina com o número 3, via de regra. Como por exemplo, VALE3 para as ações ordinárias da Vale, BBAS3 para ações ordinárias do Banco do Brasil, ou PETR3 para as ações ordinárias da Petrobras.

A principal diferença das ações ordinárias (ON) para as demais (PN e Units), é o direito ao voto nas assembléias. Ele permite que o acionista participe das decisões estratégicas da empresa, como a eleição de membros do conselho de administração, aprovação de contas, alterações estatutárias, entre outras deliberações.

Mas convenhamos, o peso do voto de um pequeno investidor individual é extremamente limitado em empresas com controle acionário concentrado, bem definido. Por que? Vejamos.

Imagine que você tenha comprado pouco mais de meio milhão de reais de ações do Banco do Brasil (BBAS3). Nos preços atuais, daria algo próximo a 20.000 ações ON. No entanto, o Banco do Brasil possui mais de 5,7 bilhões de ações disponíveis na bolsa. Seu investimento, apesar de alto para a maioria dos brasileiros, é insignificante do ponto de vista de controle acionário. Entendeu?

Sendo assim, somente após adquirir milhares de ações (e não necessariamente investir milhares de reais), você passará a exercer de fato algum tipo de influência na empresa que se tornou sócio. Louco né?

Agora, você deve estar se perguntando: mas Jú, mesmo como acionista minoritário (aquele que possui poucas ações) eu tenho direito a receber os proventos pagos pela empresa? Ou só receberei quando tiver milhares de ações, como ocorre com o voto?

Essa é a magia para o pequeno investidor. Com apenas 1 ação, você já exerce o direito de participar dos resultados da companhia.

Em termos de remuneração, os detentores de ações ON têm direito a participar dos lucros da empresa através do recebimento de dividendos. Geralmente, esses dividendos são distribuídos após o pagamento aos acionistas preferenciais (caso existam e possuam tal prioridade no estatuto).

E outra pergunta deve surgir agora na sua mente. Jú, se a empresa falir, eu terei que dispor dos meus bens pessoais para pagar as dívidas dela? Não! A Lei das S.As declara que os acionistas participam da sociedade apenas com as ações que possuem. Na prática, você pode ver seu investimento ir a R$ 0,00, mas não passará disso.

Outro mecanismo adicionado na Lei das S.As, é o mecanismo de proteção mais importante para os detentores de ações, o tag along

Previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/76), o tag along garante aos acionistas ordinários minoritários o direito de vender suas ações por, no mínimo, 80% do valor pago por ação ao acionista controlador, caso este decida repassar o controle da companhia para terceiro.

Vejamos agora, o que são as ações preferenciais (PN).

O que são Ações Preferenciais (PN)?

As ações preferenciais nominativas (PN) são títulos que conferem aos seus detentores certas prioridades ou vantagens em relação às ações ordinárias. A mais comum dessas “preferências” é a prioridade no recebimento de dividendos e/ou no reembolso do capital em caso de liquidação da companhia.

Os códigos de negociação das ações PN na B3 terminam com os números 4 (mais comum), 5, 6, 7 ou 8, como PETR4 para as ações preferenciais da Petrobras ou CPLE6 para as ações preferenciais da da Copel.

A diferença entre as terminadas em 4 e 5, 6, 7 e 8, é que podem existir classes com direitos diferentes bem definidos para cada terminação de ticker. Por exemplo, o ticker com final 4, pode ter direito a voto, sendo que os tickers 5, 6, 7 e 8 podem ter preferência no recebimento dos dividendos. Pode ocorrer também, diferenças no estatuto social de acordo com o final dos tickers.

Vejamos um exemplo para a Copel, que possui os ticker CPLE3, CPLE5 e CPLE6. Esse detalhamento pode ser visto no documento Formulário de Referência 2025 no site do RI da empresa.

A distribuição das ações da Copel é:

  • Quantidade de ações ordinárias: 1.300.347.300
  • Quantidade de ações preferenciais: 1.682.463.291
  • Quantidade total de ações: 2.982.810.591

A distribuição das ações preferenciais da Copel é:

  • Preferencial Classe A (CPLE5): 3.128.000 de ações
  • Preferencial Classe B (CPLE6): 1.679.335.290 de ações
  • Preferencial Classe C (Não Listada na B3): 1 ação

Nesse caso, para ilustrarmos, a regra para o cálculo dos dividendos a serem recebidos, seria (trecho extraído do documento Formulário de Referência 2025):

As ações preferenciais classe “A” e classe “B” fazem jus a dividendos anuais mínimos não cumulativos pelo menos 10,0% maiores que os dividendos por ação pagos às ações ordinárias. As ações preferenciais classe “A” têm prioridade para recebimento de dividendos sobre as ações preferenciais classe “B”, e as ações preferenciais classe “B” têm prioridade sobre as ações ordinárias. Na medida em que haja recursos disponíveis para tanto, os dividendos devem ser pagos na seguinte ordem:

  1. Primeiro, os portadores de ações preferenciais classe “A” têm direito de receber dividendos mínimos iguais a 10,0% do capital acionário total representado pelas ações preferenciais classe “A” existentes ao final do exercício fiscal em relação ao qual os dividendos estão sendo declarados e que será imputado ao Dividendo Obrigatório;
  2. Segundo, na medida em que haja montantes adicionais a serem distribuídos após todos os montantes alocados às ações preferenciais classe “A” terem sido pagos, os portadores de ações preferenciais classe “B” têm direito de receber dividendos mínimos por ação iguais (1) à Distribuição Obrigatória dividida pelo (2) número total de ações preferenciais classe “B” existente ao final do exercício fiscal em
    relação ao qual os dividendos estão sendo declarados; e
  3. Terceiro, na medida em que haja montantes adicionais a serem distribuídos após todos os montantes alocados às ações classe A e às ações preferenciais classe “B” terem sido pagos, os portadores de ações ordinárias têm direito de receber uma importância por ação igual (1) à Distribuição Obrigatória dividida pelo (2) número total de ações ordinárias existente ao final do exercício em relação ao qual os dividendos tenham sido declarados, desde que os portadores de ações preferenciais classe “A” e classe “B” recebam dividendos pelo menos 10,0% maiores que os dividendos por ação pagos aos portadores de ações ordinárias.

Embora o trecho acima declare a regra de recebimento de dividendos para a Copel, de acordo com as classes preferenciais de ações, a pergunta que fica é: pra quê essa complexidade toda? A empresa poderia simplesmente aderir ao Novo Mercado e ter apenas o ticker com final 3, com uma regra igual para todos os acionistas?

Vimos até aqui, que quando você for escolher a ação a ser comprada na sua corretora, terá que fazer um exercício antes: descobrir o que de fato está por trás do número no final da ação.

Triste o que tenho a dizer, mas não existe uma regra a ser seguida. Cada companhia pode definir (desde que sejam divulgadas por documento oficial) as regras para cada tipo e classe de ações que componham seu capital social.

Para piorar, além das preferenciais (que na minha opinião já não deveriam existir), podemos ter as chamadas Units (desculpem o termo chulo, outra porcaria pior que as preferenciais).

O que são Ações Units?

As ações Units são certificados de ações, negociados na bolsa como um único ativo, mas que representam um pacote composto por diferentes tipos e/ou classes de ações de uma mesma empresa, mais comumente uma combinação de ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN).

O ticker de negociação de uma Unit na B3 tipicamente termina com o número 11 (e.g., CPLE11 para as (antigas) Units da Copel, TAEE11 para as Units da Taesa).

Mas antes de entrar em mais detalhes, façamos um exercício de fixação rápido. Observe a figura a seguir:

Ações ON, PN e Units

Apenas olhando os tickers listados acima, já consegue dizer o que é cada uma?

A composição exata de cada Unit é definida pela empresa emissora no momento de sua criação. Por exemplo, uma Unit pode ser formada por uma ação ON e duas ações PN. 

Na dúvida, você terá que acessar o RI (site de Relação com os Investidores) da empresa e ler atentamente aos detalhes da definição da Unit a ser comprada. Um saco né?

No geral, os direitos conferidos pelas Units são, portanto, a soma dos direitos inerentes às ações que as compõem. Se uma Unit contém ações ON, ela carrega consigo o direito a voto proporcional dessas ONs e se contém PNs com prioridade de dividendos, essa prioridade se reflete no retorno da Unit.

Um exemplo prático da dinâmica das Units foi o caso da Copel (Companhia Paranaense de Energia). Suas Units, negociadas sob o ticker CPLE11, passaram por um processo de desmembramento (desfazimento do programa de Units) aprovado em assembleia, com o último dia de negociação das Units ocorrendo em 22 de dezembro de 2023. 

A partir de 28 de dezembro de 2023, cada Unit CPLE11 foi convertida em um pacote de 1 ação ordinária (CPLE3) e 4 ações preferenciais classe “B” (CPLE6), que passaram a ser negociadas individualmente.

Por que a Copel fez isso? Pode ser que ela esteja em um processo de adaptação para aderir ao Novo Mercado da B3 (o qual exige que a empresa possua apenas ações ordinárias ON) ou para dar mais liquidez (maior volume de negociações diárias) para as ações preferenciais de classe B, CPLE6. Teremos que acompanhar as notícias da companhia para identificar o movimento.

Por isso, de acordo com a Filosofia Meia Ficha, indicamos que você compre apenas ações de empresas que aderiram ao Novo Mercado da B3 (com exceção aos bancões por razões históricas). Assim, fica mais fácil você saber o que está comprando e o que está levando de fato!

Conclusão

Jú, qual dos tipos de ações seria melhor para o investidor comprar? Depende!

Cada tipo de ação possui suas características e somente você investidor, será capaz de determinar o que está buscando com o investimento na companhia.

Para isso, a análise dos diferentes tipos de ações, dos níveis de governança corporativa da B3 e da distinção entre acionistas majoritários e minoritários se torna obrigatório para qualquer investidor que deseje atuar de forma consciente no mercado de capitais brasileiro. De forma geral:

  • As Ações Ordinárias (ON) distinguem-se primariamente pelo direito a voto, sendo a escolha adequada para quem busca alinhamento com o controle e participação nas decisões, especialmente em empresas do Novo Mercado, onde são o único tipo permitido e contam com 100% de tag along.
  • As Ações Preferenciais (PN) atraem investidores com foco em dividendos, dada sua prioridade no recebimento, mas geralmente não conferem voto e sua proteção de tag along depende do estatuto ou da listagem em segmentos como o Nível 2 (que garante 100%). 
  • As Ações Units, por sua vez, são pacotes de ações (usualmente ON e PN) e seus direitos são a soma das partes, exigindo uma análise de sua composição específica e da possibilidade de mudanças em sua estrutura, como ocorreu no desmembramento das Units da Copel.

É fundamental o acompanhamento contínuo das ações que você adquiriu, pois as estruturas acionárias (como a composição de Units) e os níveis de listagem podem sofrer alterações ao longo do tempo, impactando os direitos e a percepção de risco.

Espero que esse artigo tenha sido útil para você.

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Forte abraço, Junior.

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Perguntas Frequentes (FAQ)

Ação Preferencial (PN) sempre paga mais dividendos que a Ordinária (ON)?

Não necessariamente. As ações preferenciais (PN) têm a prioridade no recebimento de dividendos. Isso significa que, quando a empresa decide distribuir lucros, os acionistas com papéis PN recebem primeiro. Além disso, por lei, as ações PN devem pagar um dividendo pelo menos 10% superior ao das ações ON. No entanto, em algumas situações, dependendo da política de dividendos da empresa, o valor total pago por ação ON pode, eventualmente, ser maior. É fundamental analisar o histórico de pagamentos de cada empresa.

Qual tipo de ação é melhor para o pequeno investidor?

Depende do seu objetivo. Se o seu foco é receber dividendos com mais frequência e você não se importa em participar das decisões da empresa (nem os riscos associados a isso), as ações preferenciais (PN) podem ser mais interessantes, pois geralmente possuem maior liquidez (são mais fáceis de comprar e vender). Se você acredita no potencial de valorização da empresa a longo prazo e quer ter a proteção do “tag along” em caso de venda do controle, as ações ordinárias (ON) podem ser uma escolha mais estratégica.

O que é “tag along” e por que ele é tão importante?

O “tag along” é um mecanismo de proteção para os acionistas minoritários com ações ordinárias (ON). Ele garante que, em caso de venda do controle da empresa, os novos controladores são obrigados a fazer uma oferta pública para comprar as ações dos minoritários por, no mínimo, 80% do valor pago pelas ações do bloco de controle. Isso evita que o pequeno investidor fique “preso” a um novo controlador que talvez não tenha os mesmos interesses.

Vale a pena investir em Units?

Teoricamente, as Units podem ser vantajosas por oferecerem, em um único “pacote”, os benefícios das ações ON e PN, como direito a voto e preferência nos dividendos. Além disso, podem ter maior liquidez do que as ações negociadas separadamente. O ponto de atenção é verificar se o preço da Unit está atrativo em comparação com a compra individual das ações que a compõem. Em alguns casos, pode ser mais vantajoso comprar os papéis separadamente. Na Filosofia Meia Ficha, não recomendamos a compra de Units, pois as regras do jogo podem mudar, sem afetar o controlador. Ou seja, só o investidor minoritário tem a perder!

Posso converter uma ação ON em PN ou vice-versa?

Não, a conversão de um tipo de ação em outro não é uma operação que o investidor possa fazer diretamente. O que pode acontecer é a própria empresa decidir, em assembleia, fazer um programa de conversão, onde os acionistas podem optar por trocar suas ações por outro tipo, mas isso é um evento corporativo e não uma decisão do investidor individual.

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4 Comentários

  • Fernando Ginez da Silva

    Excelente artigo. Muita informação boa, mas tenho umas dúvidas – que podem ficar para um próximo artigo 😉

    1. O que é o novo mercado que você citou?

    2. Quanto à prioridade dos dividendos nas do tipo PN. Essa prioridade pode se traduzir em maior valor de dividendos?

    Obrigado!

    • Grande Ginez, é um prazer tê-lo aqui na comunidade Meia Ficha.
      1 – São níveis de governança definidos pela B3, logo sairá um artigo explicando bem os detalhes.
      2 – Sim, a Klabin por exemplo, pratica dividendos ligeiramente maiores na PN, do que na ON. Isso também afeta o preço da ação na cotação, pois o mercado precifica diferente.