BB ou Itaú: Qual Banco é Mais Arriscado no 2T26?

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Dois bancos. O mesmo trimestre. O mesmo tipo de problema de crédito concentrado — e piorando, sem um único trimestre de recuo, nos dois casos. Mas só um dos dois precisou de uma Medida Provisória do governo para segurar parte do estrago. Este artigo fecha uma série de três e coloca lado a lado, ponto por ponto, o resultado do 2T26 do Banco do Brasil e do Itaú: lucro e ROE, os dois waterfalls de capital (em direções opostas), o tipo de risco de cada carteira, a velocidade com que cada problema piora, a rede de segurança que só um dos dois tem, o guidance que os dois estão testando — e, só no final, a cotação das duas ações.

Resumo rápido

  • O Itaú lucrou mais de 3x o BB no 2T26 (R$ 12,4 bi vs. R$ 3,9 bi) e teve ROE mais de 3x maior — mas os dois pagam dividendo e cresceram carteira de crédito no trimestre.
  • O Capital Principal do BB caiu (11,59% → 11,27%); o do Itaú subiu (12,0% → 12,3%) — mesmo trimestre, direções opostas.
  • Os dois bancos têm inadimplência subindo há 5 trimestres sem recuo, mas em ritmos muito diferentes: a do BB (agro) quase dobrou; a do Itaú (MPME) subiu 25% — o BB piora cerca de 4x mais rápido.
  • Só o BB tem uma rede de segurança do governo mencionada no relatório: a MP 1.376, com até R$ 100 bi e participação da União num fundo garantidor.
  • BBAS3 caiu ~23,1% em 2 anos (preço puro, sem dividendo) contra ~2,8% do ITUB4 — direção compatível com o mercado já precificando parte dessa diferença de risco.

Este é o terceiro e último artigo da série: Banco do Brasil (a bomba-relógio no crédito agro do BB), Itaú (o trimestre bom com rachaduras específicas), e esta comparação final.

Antes de continuar, um aviso direto. Este é um conteúdo de educação financeira. Não é recomendação de compra ou venda de BBAS3, ITUB3, ITUB4 ou de nenhum outro ativo, e nada aqui é promessa ou garantia de rentabilidade. O que este artigo faz é comparar, lado a lado, dois documentos públicos que qualquer pessoa pode baixar nos respectivos sites de Relações com Investidores — com a página exata de onde cada número saiu — para te ensinar a enxergar a diferença entre eles. A conclusão é sua.

Assista ao vídeo completo, com a matemática na tela

Todo dado deste artigo tem a página exata do documento oficial de cada banco, e aparece na tela do vídeo que originou este texto, com o cálculo de velocidade da inadimplência e os dois waterfalls de capital narrados passo a passo — nunca resposta pronta. Se você quer acompanhar o raciocínio inteiro:

Assista: “BB x Itaú: o mesmo problema de crédito, só que um banco tem fiador e o outro não”

Eu sou o Junior Ju, consultor habilitado pela CVM e certificado pela ANBIMA. O motivo de eu ter feito essa série inteira é simples: dois bancos, o mesmo trimestre, o mesmo tipo de problema de crédito concentrado e piorando — mas só um dos dois tem o governo como fiador informal. E antes de perguntar qual ação está “mais barata”, a pergunta certa é outra, e ela está no meio deste artigo, antes de qualquer número de cotação.

Lucro e ROE lado a lado: diferença de ordem de grandeza

O Banco do Brasil entregou Lucro Líquido Ajustado de R$ 3,9 bilhões no 2T26 (páginas 2 e 27 do documento do BB). O RSPL — Retorno sobre o Patrimônio Líquido — ficou em 7,9% (página 16), ainda abaixo dos 8,3% e 8,4% que o banco vinha entregando um ano antes. O salto de 13,9% frente ao trimestre anterior era recuperação de uma base fraca, não um patamar novo — ponto já detalhado no primeiro artigo desta série (análise completa do resultado do Banco do Brasil no 2T26).

O Itaú entregou Resultado Recorrente Gerencial de R$ 12,4 bilhões — mais exatamente R$ 12.407 milhões (página 2). O ROE veio em 24,3% no consolidado, subindo 1,0 ponto percentual frente ao mesmo trimestre do ano passado, e 25,7% olhando só a operação Brasil, subindo 1,3 ponto percentual no ano. Diferente do BB, aqui não é recuperação de base fraca — é crescimento consistente, trimestre sobre trimestre.

Em valor absoluto, o Itaú lucrou mais de três vezes o que o BB lucrou — e o ROE também é mais de três vezes maior. Não é diferença sutil, é diferença de ordem de grandeza. Mas vale registrar, como já mostrado no segundo artigo (análise completa do resultado do Itaú no 2T26): esse ROE de 24,3%/25,7% já vem “puxado para baixo” de propósito, porque o Itaú carrega mais colchão de capital do que a própria meta interna — se operasse nela, o ROE subiria para 25,1%/26,7%. Guarde a expressão “colchão de capital”, porque é exatamente para lá que a comparação vai agora.

Capital: os dois waterfalls, direções opostas

Este é o contraste mais visual do comparativo. É o mesmo tipo de gráfico nos dois relatórios — uma “pontezinha” de “de onde saiu, para onde foi” o Índice de Capital Principal, o colchão que o banco precisa manter para absorver perdas sem quebrar. Mesmo trimestre. Direções opostas.

Banco do Brasil (página 26): começou o trimestre em 11,59%. O lucro contribuiu com +0,22 ponto percentual. Um ajuste atuarial tirou -0,18. Ajustes prudenciais somaram +0,01. O crescimento dos ativos ponderados pelo risco — que sobe toda vez que o banco expande carteira de crédito, principalmente carteira mais arriscada, como o agro — consumiu -0,37. Somando: 11,59 + 0,22 − 0,18 + 0,01 − 0,37 = 11,27%. O capital caiu.

Itaú (página 11): começou em 12,0%. O lucro do trimestre contribuiu com +0,8 ponto percentual. O pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio consumiu -0,3. O crescimento dos ativos ponderados pelo risco consumiu apenas -0,1. Somando: 12,0 + 0,8 − 0,3 − 0,1 = 12,3%. O capital subiu. Somando o capital complementar de nível I, o índice completo chega a 13,8% em junho de 2026 (página 11).

Os dois bancos cresceram carteira de crédito no trimestre. Os dois pagam dividendo. É o mesmo tipo de conta, com os mesmos quatro ingredientes — lucro, algum consumo, crescimento de ativo de risco. Só que, num banco, a soma fecha positiva; no outro, negativa. No BB, mesmo com o lucro ajudando a recompor capital, o crescimento da carteira de risco consumiu mais do que o lucro conseguiu repor. No Itaú, o lucro sozinho cobriu dividendo e crescimento de carteira, e ainda sobrou.

Tipo de risco: setor concentrado x segmento concentrado — e a velocidade

Cada banco carrega exatamente um ponto de fragilidade real na carteira de crédito, mas de natureza diferente, e de velocidade muito diferente.

Banco do Brasil: concentração setorial no agro

O problema é concentração de setor: o agronegócio, ligado ao papel histórico do banco como parceiro estatal do crédito rural — quase 600 mil clientes com crédito agro, 84% deles com relacionamento de mais de dez anos, presença em 93% dos municípios do Brasil (página 5). A inadimplência acima de 90 dias do agro (página 21): junho de 2025, 3,16%. Setembro, 4,84%. Dezembro, 6,09%. Março de 2026, 6,22%. Junho de 2026, 6,27%.

Itaú: concentração de segmento na MPME

O problema é concentração de segmento, não de setor: micro, pequena e média empresa — o padeiro, a oficina, a loja de bairro. Não é um ramo econômico específico, é um porte de cliente, transversal a qualquer setor. A inadimplência acima de 90 dias da MPME (página 7): junho de 2025, 1,6%. Setembro, 1,7%. Dezembro, 1,8%. Março de 2026, 1,9%. Junho de 2026, 2,0%.

A conta que separa os dois problemas

As duas séries só sobem, sem nenhum recuo, nos cinco trimestres. Isso, sozinho, já diz que nenhum dos dois bancos está livre de um problema real e persistente de crédito. Mas “as duas sobem sem parar” não quer dizer “as duas sobem do mesmo jeito”:

  • BB: de 3,16% para 6,27% = variação de +3,11 pontos percentuais. Em termos relativos, 6,27 ÷ 3,16 = 1,984 — a inadimplência praticamente dobrou.
  • Itaú: de 1,6% para 2,0% = variação de +0,4 ponto percentual. Em termos relativos, 2,0 ÷ 1,6 = 1,25 — alta de 25%.
  • Comparando as duas velocidades: 98,4% ÷ 25% ≈ 3,9 vezes mais rápido em termos relativos. E 3,11 p.p. ÷ 0,4 p.p. ≈ 7,8 vezes mais rápido em pontos percentuais absolutos.

A leitura correta não é “o BB tem problema e o Itaú não tem”. O Itaú tem, sim, um problema de crédito real, mensurável, que subiu em todos os cinco trimestres sem exceção — isso não é diferente do BB. A diferença não é a existência do problema. É a inclinação da curva: uma sobe devagar, a outra está quase dobrando a cada ano e meio.

Rede de segurança: MP 1.376 x nenhuma menção equivalente

Se os dois bancos têm um ponto de fragilidade real, por que só um deles ganhou uma Medida Provisória do governo?

A MP 1.376, publicada em 15 de julho de 2026, criou linhas de crédito para reestruturar dívida rural de produtores afetados por clima ou queda de preço, com participação da União num fundo garantidor. O próprio Banco do Brasil detalha sua exposição a esse programa (página 6): carteira potencial de até R$ 100 bilhões, com até 113 mil clientes dentro do programa, somando as cinco regiões. O Ministro da Fazenda estimou o impacto em até R$ 100 bilhões em renegociações, com custo público inferior a R$ 4 bilhões por ano.

Do lado do Itaú, para a MPME: nada equivalente. É preciso ser preciso com o que está sendo afirmado aqui. O que está confirmado é a ausência de menção, no relatório de resultados do próprio Itaú, a um mecanismo de socorro público dirigido especificamente à carteira de MPME do banco, equivalente ao que a MP 1.376 representa para o BB. Isso não é o mesmo que dizer que não existe rede de segurança nenhuma para pequena empresa em lugar nenhum do Brasil — existem outros programas genéricos no sistema financeiro (como Pronampe, Desenrola e linhas do BNDES) que não foram pesquisados neste dossiê, e este artigo não afirma nada sobre eles. O que está confirmado, com precisão, é a ausência de menção no relatório do próprio banco, sobre a própria carteira dele.

O banco com o problema que dobra mais rápido tem um socorro nomeado, com o governo participando de fundo garantidor. O banco com o problema mais lento e mais raso não tem nada equivalente mencionado no próprio relatório dele. Isso não é sobre qual gestão é melhor ou pior — é sobre qual dos dois riscos carrega um mandato de política pública por trás, e qual é risco de negócio comum que o banco absorve sozinho.

Guidance: os dois testando o teto, mas de natureza diferente

Todo início de ano, os dois bancos publicam uma faixa de expectativa para o ano inteiro. Coincidentemente, os dois estão testando o teto da própria faixa neste trimestre — mas não é o mesmo tipo de teto.

No BB, o guidance testado é o Custo do Crédito — uma métrica de despesa, de risco (página 27): faixa de R$ 65 a 70 bilhões para o ano. O realizado do primeiro semestre já soma R$ 37,3 bilhões; anualizando esse ritmo, dá R$ 74,6 bilhões — acima do teto. É uma extrapolação, não um fato consumado, mas o ritmo atual corre acima da própria meta.

No Itaú, o guidance testado é a carteira de crédito total — uma métrica de volume, de crescimento (página 12): faixa de 5,5% a 9,5% para o ano, mantida. Comparando junho de 2026 com junho de 2025 (página 3), o crescimento real foi de 9,6% com câmbio, 10,3% sem o efeito cambial — no teto ou acima do teto. Só que, diferente do BB, o documento do Itaú não confirma se essa é a janela oficial de comparação do guidance anual — pode ser dezembro contra dezembro, não necessariamente junho contra junho. Essa ressalva o BB não carrega, porque o guidance dele é uma soma anual simples de reais.

Comparar os dois lado a lado é válido, mas equiparar a gravidade dos dois não é. O achado do BB é sobre quanto o banco está perdendo com crédito ruim — testar o teto para cima é, por definição, notícia ruim. O achado do Itaú é sobre quanto a carteira está crescendo — um indicador de volume, que pode ser bom, neutro ou preocupante dependendo do contexto. Um teto é sobre gastar mais do que devia. O outro é sobre crescer mais do que planejava.

A assimetria em uma tabela

DimensãoBanco do BrasilItaú
Lucro e ROER$ 3,9 bi · RSPL 7,9% (abaixo do ano anterior)R$ 12,4 bi · ROE 24,3%–25,7% (subindo a/a)
Capital PrincipalCaindo: 11,59% → 11,27%Subindo: 12,0% → 12,3%
Tipo de riscoConcentração setorial (agro)Concentração de segmento (MPME)
Velocidade da piora~dobrando em 5 trimestres~+25% no mesmo intervalo (~4x mais devagar)
Rede de segurançaMP 1.376, até R$ 100 bi, governo dentroNenhuma menção equivalente no relatório
Guidance testadoDespesa/risco, já acima do tetoCrescimento, no teto, com ressalva metodológica

Cada linha, sozinha, é um detalhe técnico. Juntas, formam um desenho bem claro. Mas olhar essa tabela e concluir de cara “o BB é o pior investimento, o Itaú é o melhor” é pular uma pergunta mais básica — a maioria das pessoas pula direto para a cotação sem nunca ter feito essa pergunta antes.

A pergunta que separa negócio de especulação: você compraria a empresa inteira?

Aqui vai a pergunta. Não é retórica — vale a pena responder de verdade antes de continuar a leitura.

Se você tivesse dinheiro para comprar 100% do Banco do Brasil — a empresa inteira, não uma ação — você compraria, nas condições mostradas acima? Capital caindo, custo do crédito acima do próprio teto, uma carteira concentrada num setor cuja inadimplência está dobrando a cada ano e meio, precisando de uma Medida Provisória do governo para segurar parte do estrago?

E do outro lado: se você tivesse dinheiro para comprar 100% do Itaú, você compraria, nas condições mostradas acima? Capital subindo, ROE mais de três vezes maior, guidance quase inteiro cumprido — mas com um segmento específico, a MPME, com inadimplência subindo sem parar há cinco trimestres, e sem nenhum mecanismo de socorro parecido com o do BB, caso esse problema, algum dia, deixe de ser pequeno.

Se a resposta for sim para os dois, tudo bem — aí sim faz sentido olhar preço, porque a decisão já foi tomada de que compraria os dois negócios inteiros, e a pergunta vira “qual dos dois está mais bem precificado”. Se a resposta for não para algum dos dois, a pergunta que fica é: por que comprar cem ações de uma empresa que você não compraria inteira? Uma ação não é um bilhete de loteria com o nome do banco escrito — é uma fração pequena e ilíquida do mesmo negócio que este artigo acabou de dissecar, capítulo por capítulo. Se o negócio inteiro não passa no teste, comprar um pedacinho dele não muda a natureza do problema, só o tamanho da exposição a ele.

Essa pergunta é um filtro, não um veredito. É só depois de passar por ela — sim ou não, para os dois ou só para um — que faz sentido conversar sobre o número que todo mundo quer ver primeiro: o preço.

Cotações: o que o mercado já está precificando

Antes de qualquer número aqui, duas ressalvas obrigatórias — sem elas, este trecho vira enganoso.

Primeira: o que segue é variação de preço puro da ação, sem contar dividendo nenhum. Os dois bancos pagam dividendo relevante, e o retorno total para quem investe — preço mais dividendo reinvestido — é, com certeza, maior do que só a variação de preço, nos dois casos. Isto não é um cálculo de “quem foi o melhor investimento” — isso exigiria retorno total, com dividendo, que não foi levantado neste dossiê.

Segunda: a fonte usada, o Investidor10, não tem tabela de histórico exata para um período de dois anos — só gráficos. O número abaixo é uma leitura visual, aproximada, do gráfico, não um dado de tabela exato como os das duas seções anteriores desta série, direto do relatório oficial de cada banco.

Feito o aviso: a cotação do BBAS3 está em R$ 18,30. Cerca de dois anos atrás, o preço estava em torno de R$ 23,79. 18,30 ÷ 23,79 = 0,769 — uma queda de aproximadamente 23,1% no preço, em cerca de dois anos.

A cotação do ITUB4 está em R$ 38,29. No mesmo ponto de aproximadamente dois anos atrás, o preço estava em torno de R$ 39,41. 38,29 ÷ 39,41 = 0,972 — uma queda de aproximadamente 2,8% no preço, no mesmo período.

O BB caiu bem mais que o Itaú no mesmo período em que este artigo mostrou capital caindo de um lado e subindo do outro, e um problema de crédito que dobra de um lado contra um que sobe devagar do outro. Isso é compatível com a leitura de que o mercado já está, pelo menos em parte, precificando essa diferença de risco. Mas é preciso ser honesto: preço de ação também se move por outras dez coisas ao mesmo tempo — juro, câmbio, sentimento geral do setor bancário, expectativa de dividendo — e não é possível, com o dado disponível aqui, isolar quanto dessa queda é especificamente sobre o que foi mostrado neste artigo, e quanto é sobre tudo o mais. O que dá para afirmar é que a direção do preço, pelo menos, não contradiz a direção do risco.

Veredito final da série

Fechando com a pergunta que abriu este artigo: qual dos dois riscos é estruturalmente mais preocupante?

Este artigo não recomenda vender BBAS3 nem comprar ITUB4 — nem o contrário. Não é essa a função de nenhum dos três textos da série. O que os dados comparados aqui mostram é a estrutura de cada risco. O Banco do Brasil tem um problema que está dobrando a cada ano e meio, dentro de um capital que está encolhendo — e precisou de uma Medida Provisória do governo, com fundo garantidor, para segurar parte do estrago. O Itaú tem um problema real, mas que sobe quase quatro vezes mais devagar, dentro de um capital que está sobrando — e não tem, no próprio relatório dele, nenhum mecanismo de socorro equivalente, caso esse problema um dia deixe de ser pequeno.

Isso não é “o BB é mal administrado e o Itaú é bem administrado”. É outra coisa: o banco que carrega risco de política pública — o agro, historicamente subsidiado, socialmente sensível — ganha rede de segurança quando o risco aperta. O banco que carrega risco de negócio comum — pequena e média empresa, sem mandato público por trás — tem que absorver sozinho, com capital próprio. Estruturalmente, é por isso que o risco do Banco do Brasil desponta como o mais preocupante dos dois nesta leitura: não porque o número de hoje seja maior, mas porque ele já precisou de socorro estatal para não estourar — e o problema que gerou esse socorro ainda está piorando, trimestre após trimestre, sem sinal de estabilização.

Isso não é recomendação de compra ou venda de nenhuma das duas ações. É a conclusão de uma leitura comparada de dois documentos públicos, com a página de onde cada número saiu. A decisão final — se você compraria 100% de algum dos dois, e a que preço — é sua, com base no seu próprio critério.

Aprender o processo para separar negócio bom de negócio ruim, antes de olhar qualquer preço — em vez de decorar um veredito pronto — é uma das coisas que a gente treina de verdade lá no GDTD.

Perguntas frequentes sobre BB x Itaú no 2T26

Qual banco é mais arriscado, BB ou Itaú, no 2T26?

Este artigo não recomenda um lado como “melhor investimento” — isso depende do seu próprio critério e não é decisão que se toma por terceiros. O que os dados mostram é uma assimetria estrutural: o Índice de Capital Principal do BB caiu (11,59% → 11,27%) enquanto o do Itaú subiu (12,0% → 12,3%); a inadimplência do ponto mais fraco de cada banco (agro no BB, MPME no Itaú) sobe nos dois, mas quase dobra no BB contra uma alta de 25% no Itaú no mesmo intervalo; e só o BB tem uma rede de segurança do governo (MP 1.376) mencionada no próprio relatório.

O que é a MP 1.376 e por que ela só existe para o Banco do Brasil?

É a Medida Provisória publicada em 15 de julho de 2026, que cria linhas de crédito para reestruturar dívida rural de produtores afetados por clima ou queda de preço, com participação da União num fundo garantidor. O Banco do Brasil detalha exposição de até R$ 100 bilhões e até 113 mil clientes dentro do programa (página 6 do relatório do BB). O relatório do Itaú não menciona nenhum mecanismo equivalente para a carteira de MPME — o que não significa que não exista rede de segurança nenhuma para pequena empresa em outros programas do sistema financeiro, apenas que não há menção no relatório do próprio banco.

A cotação de BBAS3 e ITUB4 já reflete essa diferença de risco?

O BBAS3 caiu cerca de 23,1% e o ITUB4 caiu cerca de 2,8% em aproximadamente dois anos (leitura aproximada de gráfico do Investidor10, preço puro, sem dividendo). A direção do preço é compatível com o mercado já precificando parte da diferença de risco mostrada neste artigo, mas preço de ação se move por muitas outras variáveis ao mesmo tempo, e não é possível isolar quanto dessa queda é especificamente sobre o que foi mostrado aqui.

Esse cálculo de cotação considera dividendos?

Não. É variação de preço puro da ação, sem dividendo. Os dois bancos pagam dividendo relevante, e o retorno total de quem investe — preço mais dividendo reinvestido — é maior que a variação de preço isolada, nos dois casos. Este artigo não calcula “quem foi o melhor investimento”.

Este artigo é uma recomendação de compra ou venda de BBAS3, ITUB3 ou ITUB4?

Não. É uma comparação de dois documentos públicos de resultado, com finalidade exclusivamente educacional. Nenhuma informação aqui deve ser tratada como recomendação personalizada de investimento.

Continue o aprendizado

Se este comparativo mudou o jeito como você olha para “qual ação é mais barata”, o vídeo completo mostra a conta de velocidade da inadimplência e os dois waterfalls de capital, passo a passo, na tela:

Assista o vídeo completo e comenta: depois de ver os três vídeos da série, você respondeu “sim” para a pergunta dos 100% em algum dos dois bancos, ou em nenhum?

Se ainda não leu os dois primeiros artigos da série: em breve, links da análise completa do resultado do Banco do Brasil e do Itaú no 2T26.

Simule seus próprios investimentos, sem depender de achismo de terceiro: use a calculadora de investimentos da Meia Ficha.


Este artigo é conteúdo de educação financeira. Não constitui recomendação personalizada de compra ou venda de BBAS3, ITUB3, ITUB4 ou de qualquer outro ativo, nem promessa ou garantia de rentabilidade. Os dados sobre resultados vêm exclusivamente dos documentos oficiais de resultados do 2T26 de cada banco, disponíveis publicamente nos respectivos sites de Relações com Investidores, com a página exata indicada em cada citação. As cotações citadas são variação de preço puro (sem dividendo) e leitura aproximada de gráfico do Investidor10 — não uma tabela de histórico exata. A “rede de segurança” mencionada para o BB (MP 1.376) é um dado confirmado em fonte pública; a ausência de mecanismo equivalente no Itaú se refere especificamente à ausência de menção no relatório de resultados do próprio banco, não a uma afirmação de que não existe nenhum programa de socorro a MPME em qualquer lugar do sistema financeiro brasileiro. A pergunta “você compraria a empresa inteira?” é um filtro de reflexão, não uma recomendação de compra, venda ou manutenção de nenhum ativo. Confira sempre os dados vigentes nas fontes oficiais antes de tirar qualquer conclusão.

Prof. Junior Jú

Junior Ju

Escada GDTD

Aprender renda fixa de verdade — do zero, no seu ritmo, sem se sentir perdido no caminho.

Eu te pego sabendo nada e te solto investindo sozinho — um degrau de cada vez, na ordem que ninguém nunca te deu.

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