Se você já é investidor, existe uma grande chance de estar cometendo algum desses 10 erros. E presta atenção no erro 7, porque muitos investidores profissionais cometem esse erro e perdem muito dinheiro. Eu mesmo já cometi vários desses, e o erro 7 de vez em quando eu ainda cometo.
Então fica comigo até o final e vai contando quantos desses erros você já cometeu, ou está cometendo agora. Quando chegar no erro 7, eu vou te mostrar por que esse danado é tão perigoso e por que você tem que evitá-lo de qualquer forma.
Resumo rápido
- Os 10 erros: investir sem reserva de emergência, vender em pânico, não entender a liquidez, olhar só o rendimento bruto, confiar na rentabilidade passada, concentrar tudo num produto, errar o prazo, cair em comissões escondidas, esperar ficar rico pra começar e investir uma vez só e parar.
- O pior de todos é o erro 7: não casar o prazo do investimento com o objetivo de vida.
- Na simulação do vídeo, R$ 10 mil investidos uma única vez por 15 anos chegam a cerca de R$ 36 mil; aportando R$ 500 por mês nos mesmos 15 anos, a cerca de R$ 181 mil.
Assista ao vídeo completo
No vídeo eu mostro os gráficos e a simulação da bola de neve na tela.
Os 10 erros
Erro 1: investir sem ter uma reserva de emergência
É impressionante a quantidade de alunos do GDTD e clientes da minha consultoria que chegam pra mim com uma carteira desestruturada e sem reserva.
Eu sei que parece contraintuitivo deixar um dinheiro parado, às vezes num CDB de 100% do CDI ou num Tesouro Selic, quando você tem a oportunidade de investir em ações “explosivas” ou pegar um investimento que está pagando 110%, 115%, mas com prazo de vencimento lá longe. Mas não se assuste: a reserva de emergência vai te salvar em vários momentos da sua vida, principalmente nos momentos de estresse do mercado, em que você não vai precisar vender nenhum ativo que esteja em baixa naquele momento.
A reserva de emergência já é um investimento da sua carteira: é a sua liquidez, algo que você pode usar na hora que precisar sem grandes prejuízos financeiros. (Quer escolher onde deixar a reserva? Tem um artigo sobre Tesouro Reserva ou Tesouro Selic aqui no site.)
Erro 2: vender em pânico na queda
Dá uma olhada na oscilação de uma empresa como a Vale. Como é uma empresa cíclica, muitas vezes ela está no alto, lá em R$ 71, e de repente cai pra R$ 46, sobe de novo pra R$ 69, R$ 68, cai novamente pra R$ 59, R$ 49, e assim por diante. Ao longo do tempo ela fica oscilando, porque é fortemente ligada à commodity principal que ela oferece pro mundo: o ferro.
É nesse momento que o iniciante vende a empresa, justamente na hora em que o preço cai. Por quê? Porque muitas vezes ele entrou nela porque ouviu dizer que era boa e lucrativa, mas não entende os ciclos das commodities que a Vale negocia. Estou usando a Vale como exemplo, mas pode acontecer com qualquer empresa. Ele compra quando todo mundo está comemorando que a empresa está cara e vende quando todo mundo está desesperado dizendo que ela vai quebrar.
Já aconteceu com você? Comigo já aconteceu. (Leia também: erros comportamentais do investidor.)
Erro 3: não entender a liquidez
Esse erro é quase tão perigoso quanto o erro 7 (perde por pouco). Liquidez é a capacidade de transformar os seus ativos de investimento em dinheiro, porque, como você já aprendeu, só dinheiro é dinheiro.
Muitas vezes, quando a gente vai investir, olha a taxa, olha quanto vai pagar, qualquer rentabilidade oferecida, e esquece de olhar quando eu posso vender esse investimento. Tem carência? O vencimento é muito longo? Você fica amarrado a um investimento que até está pagando direitinho, mas, na hora em que precisa do dinheiro, não consegue liquidar nem resgatar. E aí às vezes só sobra o mercado secundário, onde você vende com deságio e acaba amargando prejuízo.
Erro 4: olhar o rendimento bruto e esquecer o líquido
O erro 3 muitas vezes vem associado ao erro 4. Quando você compara a rentabilidade bruta com a líquida (e aqui no canal você já deve ter visto comparações assim, como LCI contra CDB), percebe que, dependendo do investimento, apesar de a taxa na cara dele parecer muito mais alta, no final ele vai pagar menos do que outro que é isento de imposto de renda, por exemplo. Imposto de renda e, às vezes, IOF, dependendo do dia do saque, mudam o resultado final. Se quiser ver essa conta feita, tem o artigo LCI a 90% do CDI ou CDB a 103% do CDI.
Erro 5: olhar a rentabilidade passada e imaginar que ela vai se repetir
O erro 4 é tão perigoso que muitas vezes é causado pelo erro 5. E isso é mais comum do que você imagina. Por exemplo: o gerente do banco te oferece um fundo de investimento que tem dentro da instituição, e que teve, sei lá, 23% de rentabilidade anual nos últimos três anos. Na sua cabeça você já imagina: “nossa senhora, vou explodir de ganhar dinheiro, 23% ao ano!”. Mas esquece que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.
Erro 6: colocar todo o dinheiro em um único produto
Quando a gente vê a rentabilidade passada de um investimento, muitas vezes comete o erro 6. Eu mesmo, depois de anos de experiência, já cometi um erro desse: olhei uma carteira que eu tinha com dez ações e duas estavam performando muito melhor que todas as outras. Adivinha qual foi a tentação? Vender as outras oito e colocar todo o dinheiro nessas duas.
Por sorte eu parei antes de vender e pensei: “cara, isso aqui é um viés, dá uma segurada até amanhã e pensa”. Acabei não fazendo a bobagem, porque pouco tempo depois essas duas que tinham performado muito bem estabilizaram e voltaram ao normal delas. Que sirva de alerta: se até investidores experientes passam por isso, imagina quem está começando.
Erro 7: prazo de investimento errado (o pior de todos)
Esse é o pior de todos, disparado, e eu mesmo cometo até hoje.
Esses dias eu conversava com um aluno do GDTD, que me disse: “Ju, eu tenho um objetivo, que é casar daqui a dois anos”. Que legal! Quando fui olhar a carteira dele, estava montada com IPCA+ 2045, com mais de 50% dos recursos alocados lá. Ele me contou que, na época em que tinha uma grana boa de uma rescisão, achou a taxa do IPCA+ 2045 muito grande e colocou a maior parte do dinheiro lá pra render mais até a data do casamento.
Só que aqui está o problema, e é por isso que considero esse o pior de todos: a gente tem que casar os prazos dos nossos investimentos com os nossos objetivos de vida. O IPCA+ vence em 2045, e ele vai casar daqui a dois anos. A saída foi investir tudo dali em diante com prazos curtos, de preferência com liquidez diária: Tesouro Selic ou CDB de liquidez diária de bancões. Só assim ele não corre o risco de, na data do casamento, ter um problema de marcação a mercado (ou, se estivesse em ações, de as ações caírem e ele ter que vender no prejuízo).
Se você descasar o prazo do investimento do seu objetivo de vida, provavelmente vai amargar prejuízos muito grandes.
Erro 8: comissões escondidas
Apesar de o erro 7 ser o pior da lista, o erro 8 vem tirando o sono de muita gente. Tem muito investimento que a gente pega em que as pessoas que estão nos orientando não são tão transparentes quanto deveriam, e acabam nos oferecendo produtos que têm comissões escondidas.
Isso acontece por causa do incentivo do mercado: muitas corretoras remuneram os seus profissionais com base na comissão do que eles vendem. Imagine a situação: se você fosse um médico que ganhasse por raio X feito dentro do consultório, você pediria menos ou mais raio X? Esse conflito de interesse faz sangrar a rentabilidade dos investidores e, muitas vezes, os leva a correr riscos que, em outros casos, não correriam.
Como já aconteceu num passado não tão distante com os COEs: as pessoas colocaram R$ 100 mil, a comissão de quem vendeu o produto foi de R$ 4 mil, R$ 5 mil, e pouco tempo depois esses R$ 100 mil viraram R$ 6 mil na mão de quem investiu. Por isso, tome muito cuidado ao entrar num investimento sem ter plena convicção de que é aquele produto que você precisa ter na carteira.
Erro 9: achar que precisa ser rico pra poder investir
Muitas vezes a gente fica acumulando capital, achando que precisa esperar um pouquinho mais, juntar mais dinheiro pra começar a investir. Isso é um erro gravíssimo, porque o investimento desenrola como uma bola de neve descendo a montanha, que é o efeito dos juros compostos. É muito melhor começar com pouco, mas colocar um pouquinho todos os meses, do que ficar esperando ter dinheiro pra investir. E esse erro acaba causando o erro 10.
Erro 10: investir uma vez só e parar
A gente acha que basta colocar um valor lá e deixar rendendo, que a bola de neve dos juros compostos vai se desenrolar sozinha. Na verdade, não é assim que funciona.
Quer ver um exemplo? O que você acha que vai dar mais dinheiro: colocar R$ 10 mil e deixar rendendo por 15 anos, ou começar do zero e aportar R$ 500 por mês durante esses mesmos 15 anos?
Na simulação, com um aporte inicial de R$ 10 mil uma única vez (supondo um investimento em que você não pague imposto de renda no meio do caminho), chegaríamos ao final de 15 anos com cerca de R$ 36 mil. Começando do zero, mas aportando R$ 500 todo mês durante os mesmos 15 anos, chegaríamos a cerca de R$ 181 mil.
(Para começar pequeno, veja como investir com pouco dinheiro.) Percebeu a diferença entre aportar uma única vez e esperar que o dinheiro se multiplique sozinho, e fazer aportes mensais regulares?
Agora me conta
Agora que passamos pelos 10 erros, me conta nos comentários do vídeo: quantos desses erros você já cometeu na sua vida como investidor?
Que Deus abençoe a sua família e os seus investimentos, e eu te vejo na próxima aula.
Perguntas frequentes
Quais são os erros mais comuns de quem começa a investir?
Investir sem reserva de emergência, vender em pânico na queda, não entender a liquidez, olhar o rendimento bruto e esquecer o líquido, confiar na rentabilidade passada, colocar todo o dinheiro num único produto, errar o prazo do investimento, cair em comissões escondidas, achar que precisa ser rico pra começar e investir uma vez só e parar.
Qual é o pior erro de quem investe?
Pra mim, o prazo de investimento errado: não casar o prazo do investimento com o objetivo de vida. Se o dinheiro vai ser usado em dois anos e está num título que vence em 2045, você corre o risco de ter que vender com prejuízo por causa da marcação a mercado.
Preciso de reserva de emergência antes de investir?
Sim. A reserva de emergência é a sua liquidez: um dinheiro que você pode usar na hora que precisar, sem grandes prejuízos, e que evita você ter que vender ativos em baixa nos momentos de estresse do mercado.
Rentabilidade passada garante rentabilidade futura?
Não. Um fundo que rendeu 23% ao ano nos últimos três anos não tem garantia de repetir o desempenho.
Compensa mais investir uma vez só ou aportar todo mês?
Na simulação do vídeo, R$ 10 mil investidos uma única vez por 15 anos chegam a cerca de R$ 36 mil, enquanto aportes de R$ 500 por mês durante os mesmos 15 anos chegam a cerca de R$ 181 mil.
O que são comissões escondidas em investimentos?
São comissões embutidas em produtos que o profissional de investimento recebe quando vende, e que nem sempre são transparentes pra você. Como muitas corretoras remuneram com base nessa comissão, existe um conflito de interesse que pode reduzir a sua rentabilidade e te expor a riscos desnecessários.
Este artigo é conteúdo de educação financeira. Não constitui recomendação personalizada de investimento, nem promessa ou garantia de rentabilidade. Os exemplos (Vale, fundo de 23% ao ano, caso do aluno, COE e simulação de 15 anos) são ilustrações de erros comuns, não indicação de compra ou venda. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.

